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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de bambu


Estas são as janelas da Grande Caminhada do Ventor


Dom | 30.08.09

O Muranho e os Lobos

Ventor

Alguns dos nossos amigos, meus e do Ventor, sabem que eu estou muito doente. Perdi a vontade de comer e tenho muitas dificuldades em respirar. Ando nos Vet's.

Uma noite destas apeteceu-me ir deitar-me junto do Ventor e da minha dona e estendi-me à cabeceira entre os dois.

E, verifiquei, que o Ventor voltou a sonhar!

O Ventor fez-me muitas festas na cabeça e, algum tempo depois, adormeceu. E deixem que vos diga, não tardou muito que o corpo dele nunca mais parava. Eu percebi a aflição dele mas não podia acordá-lo. Só se fosse à dentada ou à unhada e isso não podia ser porque o Ventor não merece nada disso. Alguns dias atrás ele já tinha tido o mesmo sonho mas não deu para acabar pois acordou aflito. Ele contou-mo, mas não lhe dei importância!

Então não é que, dias depois, voltou a reiniciar o mesmo sonho!

O Ventor contou-me o que sonhou. No primeiro, foi só a parte do pesadelo e não liguei, no segundo, foi o pesadelo e a parte maravilhosa de ter lobos como amigos. Foi um sonho perfeito!

Pois foi assim.

O Ventor voltou ao Muranho já duas vezes e das duas vezes, em sonhos. Duas vezes depois de lá ter estado na realidade, em 9 de Agosto, com os seus amigos.

Apeteceu-lhe voltar às suas Montanhas Lindas chegando ao Poulo do Muranho já tarde e com muita sede. Tão tarde que já não dava para regressar com dia e foi beber água à nascente e encher o cantil. No regresso já não via quase nada de jeito a não ser a silhoeta da serra da Peneda no horizonte e o vulto negro do cortelho para onde se dirigia e, então, começou a pensar que iria ficar ali, pois sempre era melhor que descer, de noite, aos trombalhões.

Um cão, em Arcos de valdevez. Nada tem a ver com os cães selvagens, pois olhou-me e nem me ladrou. É um belíssimo animal

De repente, sentiu que algo corria em sua perseguição e ele acelerou, fazendo uma grande corrida até ao cortelho, subindo para cima dele. Quando iniciou a corrida ouviu cães a ladrar e os cães eram mesmo maus e com um aspecto horroroso, tipo coiotes. Era uma matilha de cães selvagens que queriam atacar o Ventor. O Ventor, a alta velocidade, só parou em cima do cortelho, com a sacola das máquinas, o comer, a água e o cajado que teve o cuidado de pegá-lo quando subia. Depois os cães queriam subir para cima do cortelho e o Ventor defendeu-se, valentemente, com o cajado. O coração dele parecia bater a 200 à hora.

Depois, enquanto continuava a grande escaramuça com os cães a tentarem subir e o Ventor à paulada neles, lobos começaram a uivar do lado da Serrinha. O uivo dos lobos cada vez se tornava mais intenso à medida que se aproximavam. Era um uivar desesperado e pouco tardou, eles faziam grande correria no Poulo rumo ao cortelho. Os cães selvagens fugiram pelo Muranho abaixo, rumo à Naia. Mas os lobos sentaram-se, muito cansados em redor do cortelho de costas para o cortelho e para o Ventor e foi aí que o Ventor teve um momento de tréguas que aproveitou para tirar o telemóvel e ligar para toda a gente. Mas ninguém o ouvia!

O Ventor pensou que iria ter de resistir àquela alcateia de lobos porque eles estavam muito cansados e não tardaria muito, iriam lançar o seu ataque. Assim, tal como eles, aproveitou para descansar um pouco e continuar a tentar telefonar. Depois começou a pensar porque terão aqueles seus velhos antepassados, construído o cortelho tão baixo! Ainda por cima, naqueles tempos, haviam muitos mais lobos que hoje!

A noite avançou e os lobos mantiveram-se sossegados, sempre de costas para o Ventor. Ele contou seis lobos mas, depois, chegou outro lobo velho, coxo, que se foi sentar virado para o Ventor, em frente dos três que estavam do lado da fonte. Os três lobos deram ao rabo e o ventor viu o quarto lobo à sua esquerda a olhar de lado e a dar ao rabo, também. Por fim o Ventor resolveu enviar város S.O.S., pois podia ser que alguém o ouvisse. Ele transpirava e estava encharcado e começou a sentir a frescura da noite no Muranho, onde nunca tinha dormido.

E o Ventor continua a contar-me a sua odisseia que diz nunca mais esquecer:

"Ao raiar da aurora, os lobos permaneciam na mesma posição e, vindo da Naia, comecei a ouvir o som de motores de veículos em movimento pois tinham ouvido os meus S.O.S.. Lá longe, sobre o Xerez espanhol, aparecia vermelho de raiva, o meu amigo Apolo que me dizia": «tem calma Ventor, tudo vai correr bem»!

O roncar dos motores de poderosos veículos vermelhos que subiam do Poulo da Ferrada, rumo ao Muranho, parecia que faziam tremer todas as montanhas à sua volta, e o Ventor disse-me que até o S. Bento do Cando primeiro e a Senhora da Peneda depois, se colocaram em sítios de maior visibilidade para ajudarem o Ventor a esquecer o início deste sonho. Com a presença da luz de Apolo a iluminá-lo, tudo parecia começar a ser diferente, mas os bombeiros chegavam vestidos de vermelho, vejam lá, e de carabinas em riste que deixaram o Ventor tão nervoso como os lobos.

Sim, porque os lobos permaneciam nervosos nos seus postos!

O Ventor pediu aos lobos para sairem dali o mais rápido possível porque os homens que vinham em seu socorro, vinham armados com carabinas de longo alcance.

"vão-se embora! Fujam"! Gritava-lhes o Ventor.

Os lobos, nervosos, pareciam tê-lo ouvido e o lobo velho, virado para o Ventor, acenou a cabeça e todos os outros se puseram a caminho.

O lobo velho foi atrás deles, coxo, tentando acelerar o seu passo, mas o Ventor reparou que, à saída do Muranho, iniciando a subida da Serrinha, só iam 6 lobos. Um dos homens da primeira viatura que chegou junto do Ventor, apontou a carabina aos lobos que iniciavam a subida da Serrinha em alta correria, exactamente, no mesmo local, onde o Ventor há muitos anos viu o primeiro lobo numa montaria. Ele fez menção de lhe mandar o cajado para lhe acertar e fazer falhar o tiro, mas o Bombeiro, vestido de vermelho, disse-lhe que estava só a fazer mira, que os lobos não podiam ser abatidos, que ficasse descansado. E o Ventor ficou!

O Ventor explicou aos bombeiros que os lobos não o atacaram, mas que o ataque foi apenas realizado por cães selvagens e, pelo que observou, achava que os lobos vieram em correria para o defender desses cães maus.

Depois, quando o chefe dos bombeiros pediu ao Ventor para entrar num dos carros, o Ventor disse que não saía dali sem beber água mais uma vez, e dirigiu-se à nascente.

"Este gajo é parvo disse um dos bombeiros. Passou uma noite horrorosa e mesmo assim não tem pressa"!

O Ventor tinha contado os lobos que subiam a Serrinha e faltava um - o lobo velho coxo! Os outros seis lobos sentaram-se no horizonte, da Serrinha a olhar o Muranho, enquanto o Ventor se dirigia à nascente. Chegando à nascente, saíu de entre as urzes o lobo velho coxo e o Ventor perguntou-lhe o que faziam ali se em toda a noite nunca o atacaram. O lobo velho coxo, disse ao Ventor : "nós nunca puderíamos deixar que os cães selvagens atacassem um dos nossos melhores amigos"!

O Ventor e o lobo velho abraçaram-se, como dois homens e, quando o Ventor olhou para o cortelho estavam ajoelhados no chão, um grupo de bombeiros com as carabinas apontadas mas, o Ventor, muito inseguro quanto às carabinas, fez sinal com o braço para ficarem quietos. Os bombeiros, ao verem o Ventor e o lobo abraçados, começaram a bater palmas e os outros seis lobos no horizonte da Serrinha, visto do Muranho, começaram a uivar.

O som dos seus uivos continua a martelar o cérebro do Ventor!

O porquê deste sonho, na opinião do Ventor?

1 - Há alguns anos atrás, contaram ao Ventor que existiam cães selvagens nas fraldas das suas Montanhas Lindas e que os lobos é que pagavam os seus estragos.

2 - Há dias, na televisão, o Ventor ouviu alguém dizer que haviam cães selvagens que procriavam na serra da Arrábida e se podiam tornar perigosos.

3 - Os amigos do Ventor e a minha dona, insistiram com ele para dormir nos Cortelhos do Muranho quando em 09 de Agosto foram fazer a sua caminhada à Pedrada. Assim, sempre veriam o pôr do Sol no Alto da Derrilheira e depois veriam o seu nascer sobre as montanhas do Xerez espanhol. Eles emprestavam um saco cama ao Ventor.

Mas o Ventor não queria, de maneira nenhuma, deixar a minha Dona só e disse, sempre, que não, ficando, no entanto, com a esperança de um dia isso vir a acontecer. Depois, terá sonhando, imaginar como seriam as partes negativas e positivas de uma dormida nos Poulos do Muranho ligando tudo que no seu cérebro tinha a ver com o assunto, não se esquecendo do lobo que, no final da década de 50 viu subir, correndo, rumo à Serrinha, exactamente no lugar que contou a retirada dos seis lobos que, tão simpáticamente, o vieram a defender dos cães selvagens imaginários.

São complicados os sonhos, não são?


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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