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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

 

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Quico o gato Companheiro do Ventor

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de bambu

 

Aqui estão as janelas da Grande Caminhada do Ventor

Outono de 2008 e Inverno de 2008-2009

Olá, amigos!

O Ventor estava para aqui a pensar, a pensar, e eu perguntei-lhe porque pensava tanto e, saíu-se com esta:

 - «Olha Quico, já passaram as colheitas dos milhos, já se realizaram as esfolhadas, e as vindimas e já confraternizamos com o nosso amigo S. Martinho mais aquele velho amigo meu - o Baco - com bons vinhos e boa água-pé»!

«Já observamos as folhas a amarelecer, a envermelhar, a acastanhar e, assistimos agora, ao streep-tease das árvores que começam a revelar a sua nudez para nós. E sentem-se felizes»!

«Agora observamos, também, o velho Outono a fazer as suas malas para partir à procura de outros destinos e o seu irmão Inverno a fazer as malas para caminhar para este. Um prepara-se para pôr termo à sua caminhada e o outro vai iniciar uma nova, fechando 2008 e abrindo 2009. E nós, tal como sempre, continuamos a tentar caminhar em todas as plataformas dos quatro magníficos ocupantes das nossas belas estações que, com mais ou menos aparatos, nos vão trazendo o que têm para nos dar, os bons ou os maus momentos com que vão animando a Esfera».

«A nossa vida, a vida de todos nós, é um conjunto de caminhadas num labirinto onde, a cada esquina, há gadanhas e guilhotinas prontas a funcionar; a cortar-nos o corpo e até a alma».

Este é um girassol que existe, neste momento, na minha rua. Ele resiste ao Outono e irá resistir, certamente, a parte do Inverno, se a mão do homem não interferir

Neste rang-rang de conversas, o Ventor contou-me que esteve parado à espera da minha dona, numa rua de Lisboa, com árvores, e que estas já amareladas, contorcendo-se com os sopros dos ventos, se iam despindo, fazendo um belo streep tease para animar o Ventor, enquanto os manos, Outono e Inverno, iam discutindo, um com o outro, os seus belos e apressados preparativos de saída e de entrada.

O velho Outono ia discutindo com o seu irmão que queria bem servir o Ventor antes de partir e o seu irmão Inverno discutia a pressa de chegar, dizendo ao seu irmão Outono que terminaria tudo o que ele deixasse por fazer.

Entretanto, o Ventor não ligava nada às birras dos dois e pensava como teve tanta fezada com o começo deste ano de 2008 e, afinal, tudo tem corrido tão mal para ele e para a minha dona!

A minha dona, desde, 25 de Abril de 2008 que quase nem consegue andar. Já fez, este ano, duas operações à coluna e ainda não consegue ver-se livre das peias do nervo ciático entrincheirado, algures, naquele corpo martirizado! Operações, fisioterapias, lutas terríveis com a A. Reumatóide e agora, mais este desafio com que o destino a brindou. Já lá vão mais oito meses de tortura sobre tantos outros sacrifícios! E, o pior, é que as perspectivas continuam muito más.

E eu, aqui, cismando, vendo também as árvores a desfolharem-se, observo o Ventor e a minha dona a carregarem com as suas próprias mazelas e ainda com as mazelas, um do outro. Porque será o Senhor da Esfera tão mauzinho?

A nossa sorte é que a minha dona é uma lutadora. Ela utiliza todas as forças que lhe sobram para lutar contra os malefícios que a perseguem, mantendo sempre vivo o sorriso que o Ventor lhe encontrou quando a conheceu.

Quando o Ventor decidiu fazer a sua Grande Caminhada pelo nosso Planeta Azul, o Senhor da Esfera disse-lhe que só poderia optar uma vez, mas o Ventor manteve a sua! Ele acha que não há nada mais belo em toda a Esfera do que caminhar no Planeta Azul!

Por isso, enquanto puder, o Ventor manterá o pé firme pelos trilhos da sua Grande Caminhada! E eu, enquanto puder, estarei sempre a seu lado!

O girassol que deixei em cima, foi um vizinho nosso que o arrancou, algures por aí, em redor e transplantou-o para aqui, na nossa rua. Pegou, cresceu mais um pouco e floriu para nós! O Ventor já me contou que, quando conheceu a minha dona, muitos anos atrás, viu-a com um vestido amarelo e lhe chamou: primeiro, de malmequer amarelo  e, depois, também de "Girassol"! Por isso, quando eu olho do meu miradouro e vejo ali o girassol, vestido no seu lindo amarelo, dê sol, faça frio, chuva ou granizo, está sempre sorrindo para as intempéries, porque as flores sorriem, lembram-se(?), eu penso como o Ventor tinha razão quando baptizou a minha dona de malmequer amarelo ou de "Girassol".

Tal como este girassol sobrevive aos frios, chuvas e saraivadas a minha dona sobrevive às intempérires da sua vida.

Há quem julgue que só há girassóis na Primavera e Verão, este será a prova que eles podem resistir no Outono e no Inverno, porque estes últimos dias de Outono têm sido mesmo de Inverno. A foto do girassol é de 2 de Dezembro, mas ele hoje está ainda mais bonito. Quando começar o Inverno, se, entretanto, não for danificado pela malvadez humana, voltarei a colocá-lo aqui.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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