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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de banmbu


19.04.05

A Coruja e a Superstição


Ventor e Quico

Quando o Ventor era miúdo, nunca tinha visto uma coruja mas já ouvia falar delas e, fundamentalmente, quando o seu pio característico colocava a sua aldeia natal de orelhas inclinadas para o som, fossem elas pequeninas, fossem elas grandes pavilhões como as do mister Spock do Star Trek.

Depois, as pessoas mais velhas, fossem homens ou mulheres diziam: «ai, não gosto nada de ouvir aquela coruja»! E davam as suas explicações. Fulano estava doente, beltrano estava a morrer e sicrana a mesma coisa. «Qual deles estava na chamada»?!  

Dizia-se, então, que quando algum velho se preparava para prestar contas ao Senhor da Esfera, a coruja aparecia para dar «novas da sua partida». Fosse verdade ou não, diz o Ventor que a coruja piava e logo num ponto da aldeia começavam os choros dos que ficavam por aquele que partia. Mas o Ventor também diz que se recorda dos pios das corujas, sem que alguém tivesse morrido!

Para o Ventor esta questão do pio da coruja coincidir com a morte de alguém devia-se apenas e só, a pura coincidência da vida real das pessoas e das corujas que tinham necessidade de comunicarem umas com as outras, cantar ou até, quem sabe, chorar.

Fosse qual fosse a razão, as pessoas só se preocupavam com o pio da coruja quando alguém estava para morrer, caso contrário, não ligavam importância. Agora que na 5ª feira passada o Ventor ficou muito preocupado com uma coruja, ficou! Eu sei reconhecer as preocupações das pessoas e não é por acaso que, quando isso acontece, eu também fico preocupado e vou dar-lhe uns beijinhos de gato.

O Ventor foi ver um familiar ao Hospital Amadora Sintra e quando estavam a cavaquear sobre a vida, uma coruja voou direita à janela do quarto do doente e logo procurou pousar por ali. O Ventor foi buscar a máquina de fotografar e procurou a coruja que tinha pousado por cima da segunda janela à esquerda daquela. O Ventor todo encantado, aponta a máquina com a coruja pousada a olhar para ele, mas a máquina não disparou!

Voltou a tentar mais duas vezes e nada! O Ventor já danado, reviu a máquina, a bateria, tudo, e ao voltar a tentar, nada! A coruja levantou voo e foi pousar lá longe, na esquina da zona Leste do Hospital e ficou a olhar para o mesmo sitio onde o Ventor se encontrava. No dia seguinte, 6ª feira, o Ventor voltou ao Hospital e por razões que não interessam, deixou que as pessoas fossem fazendo a visita, ficando ele para mais tarde

A verdade é que não estava com vontade de subir e acabou por vir embora sem fazer a visita. Na noite seguinte o amigo e familiar acabou por morrer. A sua morte estava adiada desde Agosto e só, ultimamente, foi cinco dias a casa, regressando ao Hospital de onde só voltou para caminhar para junto do Senhor da Esfera. Na noite que ele morreu, enquanto o Ventor sonhava, eu ouvi uma discussão entre o Ventor e a coruja!

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Dizia a coruja ao Ventor que ele já estava tão por baixo que já nem sabia interpretar os sinais! E sabem uma coisa? Aqui o vosso amigo Quico acha que a coruja tinha razão! Mas a verdade é que o nosso amigo Quim partiu deste mundo e a coruja avisou o Ventor que se despedisse dele que não o veria mais!

Avisou-o no Hospital e avisou-o em sonhos. Discutiram muito o Ventor e a coruja e quando o Ventor acordou transpirava e até se sentou na cama e abraçou-se a mim, dizendo-me que também os meus olhos pareciam de coruja. A nossa dona dormia e eu assistia a mais esta batalha do Ventor com as crenças e as supersticões deste mundo.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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