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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

 

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Quico o gato Companheiro do Ventor

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de bambu

 

Aqui estão as janelas da Grande Caminhada do Ventor

Os bichos do Ventor

Quando o Ventor vai dar as suas passeatas, aquelas célebres caminhadas de que nos fala, eu fico sempre à espera de novos bichos.

Mas nem sempre ele consegue apanhar o que gostaria. Depois fala-me deles como se estivesse a marcá-los para os meter numa nova Arca do seu amigo Noé. Quando ele me fala dos bichos eu chego a convencer-me que, um dia destes, ele acabará por os trazer cá para casa em gaiolinhas e não na máquina fotográfica. Mas ele já deve saber que nenhum bicho gosta de gaiolas e eu servi-lhe de exemplo. Cada vez que ele me metia numa gaiola que lhe custou uns bons pares de euros, ainda em escudos, eu ficava sem ar e transpirava e quase morria de susto! Por isso ele dizia que eu não era um gato normal. Como é que ele queria que eu fosse um gato normal? Eu fui abandonado ao Deus dará. Estava sempre a ser atropelado pelos meus companheiros, em fuga.

Resisti às fisgas e flaubers dos ciganos e doutros nhurros, e só, sem forças e inanimado de cansaço me apanharam. O Ventor, por minha causa, ganhou tanto pó a essa gaiola que acabou por a dar e agora leva-me nos braços. Por isso, é que quando eu chego a casa, logo nas escadas, peço-lhe para me por no chão e mal ele faz o gesto já eu estou a formar o impulso para o pulo. É nesse momento que eu lhe cravo as unhas num braço! Mas quanto aos outros bichos que ele vai fotografando, ele sente que o mundo é mais bonito quando os vê e penso que nunca usará uma gaiola para eles.

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Este gafanhoto, faz o Ventor recordar-se dos velhos tempos, mas tempos em que o verde predominava e os gafanhotos pastavam e não passavam fome. Quando levantavam voo, as suas asas no ar pareciam um campo florido, tal a variedade de gafanhotos e as cores das suas asas abertas, pelos vales das suas montanhas.

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Formigas nas amoras

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Como noutros tempos, as formigas vão às amoras das silvas e levam para casa aqueles pedacinhos redondos, como se fossem ao supermercado carregar frascos cheios de um belíssimo doce acre, silvestre.

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Como as formigas, também as abelhas e as vespas se empanturram dos doces gostosos das amoras de silvas que tanta fome e sede matam no mundo em dias de canícula.

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Mas até as borboletas vão às amoras, embora o Ventor não lhes tirasse fotos lá, elas andam pelas silvas, nas pedras e nos matos secos.

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Mas também o Ventor devia ter mais cuidado e não estragar os amores das borboletas. Ele diz que num local pequeno, as borboletas pareciam que estavam na Ilha dos Amores de que nos fala o Grande Camões.

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Por ali, não muito longe, ainda continua a pingar a água, salvação de toda esta bicharada neste belo local, um nicho encravado no meio do nada. Ali os passarinhos vão beber, as rolas, os pombos, as andorinhas, os coelhos e todos os outros. É uma beleza, nesta canícula ver a água continuar o seu caminho para Bombaça!


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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