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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de banmbu


27.09.10

O João foi para a Escola


Ventor e Quico

O João foi para a "escola" e eu já o fui buscar uma vez mas, ele quer mais vezes!

 O João, anda todo encantado com a sua nova vida na sua grande "ESCOLA". No primeiro dia perguntei-lhe se já tinha muitos amigos e ele respondeu-me: "tenho a professora"! Agora diz que gostava de ir para a escola da Joana, mas quando lhe dizem que não pode ser, fica a pensar. Vais ter de pensar muito João, em muita coisa. Só espero que não penses muito em como te tornares aldrabão como muitos que há por aí. Parece que as escolas, há alguns anos para cá, só servem para isso!

Fui buscá-lo e espreitar o novo buraco de alguns novos coelhinhos. Gostei de ver a escolinha do João com as maçãs reinetas penduradas da macieira a observar-me.

Vi três "coelhinhos" numa nesa inventada na alcatifa ou carpete a conversarem como três dos meus velhos amigos de outros tempos na escada da tia Bondeira, falando uns com os outros e, tal como nesses meus velhos tempos, nada percebia, também nada percebi da conversa daqueles três mangas. Provavelmente estariam a dizer mal da vida enquanto o João me foi mostrar a frota que a sua bela escola lá tem para darem os seus passeios. O João que tudo fez para eu me sentir bem por aqueles seus novos aposentos, armou-se em Fitipaldi e fez por lá umas curvas apertadas sem capacete mas, portou-se bem.

Depois veio comigo, com a tia e a irmã para casa. Fomos buscar a irmã à Escola dela e fomos buscar o João para ficarem por aqui, connosco, a ver os seus programas preferidos, no MEO. Mas o João veio a correr para o Computador para ver o Quico e mais uma vez me perguntou onde ele estava. Eu disse-lhe, como sempre, que ele estava no meio das estrelinhas do firmamento, junto do Senhor da Esfera, mas ele queria mais!

Contei-lhe a verdade e ele chamou a irmã para lhe dizer que, afinal, o Quico morreu!

"Morreu, Joana! O Quico morreu, sabes? O Quico morreu"!

Mostrei-lhe as fotos e ele pediu-me para o levar ver o Quico. Mas eu disse-lhe que era muito longe e que ele estava debaixo da terra e ficou muito triste. Acho que só agora se apercebeu que perdeu para sempre o seu amigo e que nunca mais lhe agarra o rabo. Ficou parado, muito triste, a olhar a foto do local onde o Quico está enterrado e voltou a repetir a frase "meu Quiquinho"!

O João já tem o sentido da morte, do que é morrer. Há dias, virou-se para a visavó e disse-lhe: "tu estás velhinha e qualquer dia vais morrer, mas eu não quero porque quero continuar a vir ver-te sempre"!

Era bom João que fosse assim, que as coisas fossem como nós queremos.

Também tem um livro onde as responsáveis por ele e pelos outros descrevem os seus comportamentos, uma espécie de diário. Eu peguei o livrinho e ele disse-me que era o seu "livro das progressões". "É para o meu pai e a minha mãe, mas também podes ler"!

Já há uns bons pares de dias que estava para colocar aqui algo sobre esta nova etapa do João, bem como desejar muitos anos de boas "progressões" ao meu amigo NetSapinho. Mas não tenho tido grandes hipóteses de escrever tudo como gostaria. Paciência! Irei caminhando como posso, mesmo que sentado.

Boa sorte, João, neste novo trilho da tua caminhada.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

22.09.10

Faz hoje um ano que ...


Ventor e Quico

... o Senhor da Esfera levou o meu Quico.

Faz hoje um mês e doze dias que eu estive, mais uma vez, sós, eu mais ele, nas nossas Montanhas Lindas. Faz hoje um ano que foi mais um dia de tristeza e de sofrimento na minha vida ao perder mais este amiguinho tão lindo.

 

Tudo que é vida, nas minhas Montanhas Lindas, tal como em 2006, continua a ser aniquilado, por mãos criminosas ou porque, irresponsavelmente, não têm a noção dos prejuízos de um incêndio

Estava com saudades de ficar junto dele por uns momentos, porque eu sei que ele, ali, tal como eu, nunca está só. Quando o enterrei foram as vacas nossas companheiras, no mês passado, só nós dois mais os cavalos. As vacas estavam um pouco mais longe. Mas as rãzinhas das fontes, as lagartixas, o nosso amigo sardão, os gafanhotos, as borboletas, os escaravelhos, e muitos mais, estão sempre perto dele.

O Sítio do meu Quico, no lado oposto, ao sopé do nosso Fuji-Ama! Dali ele levanta a cabeça e vê tudo. Aposto que me viu em mais uma das minhas caminhadas, rumo à Pedrada e eu, lá de cima, com os olhos pousados nele e nos malditos fogos que continuavam a ameçar as nossas Montanhas Lindas

Ainda olhei a nascente à procura das Ninfas que se me mostraram em sonhos mas, olhei o Alto da Derrilheira, lá longe, e tudo que me envolvia pareceu-me gritar em uníssuno: "não Ventor, ainda não estás purificado. És um homem! O Senhor da Esfera diz que podes continuar a sonhar".

Claro que esta é a minha fonte inesquecível - a primeira fonte dos meus sonhos, da violeta, do Vilavém, da Ribeira, da Redonda, da Cereja, da Nova, da Briosa, do meu pai, da minha mãe, de .... Eles andam todos lá!

 Mas eu continuo lá também! Junto deles todos! Todos os dias e noites, acordado ou em sonhos! Olhando os espigueiros de Soajo, o Gião, o Mesio, os montes em volta... A olhar todo o mundo envolvente que me marcou para sempre! Os primeiros passos começaram mais lá por baixo, pela Assureira, por Adrão depois, já mais tarde, por aqui, o meu segundo escalão ao lado de meu pai, da minha mãe de todos e, posteriormente, virei-me para as alturas, rumo à Naia, ao Muranho, ao Alto da Derrilheira, à Pedrada ...

Hoje, como dantes, continuo a caminhar ao lado das "rainhas das montanhas", dos cavalos garranos, de todos!

 
Este poldrinho ao ver-me junto do Quico, depois da sua mãe mo apresentar, disse-me: "sabes Ventor? A minha mãe já me disse tudo! Já me disse que um dia iria ficar sem ela e, por isso, teria de aprender tudo e, quanto mais depressa melhor! Achas que eu vou chorar tanto por ela como tu choras pelo teu Quico?
 
Claro que eu não lhe poderia dizer que sim nem que não. Só ele, um dia, teria de ser capaz de avaliar!
 
Estarei, tal como quando eras vivo, sempre junto de ti, Quiquinho.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia