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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de banmbu


22.10.09

Olá, amigos do Quico! ...


Ventor e Quico

... Eu sou o Tobias, mais um vosso amigo.

 O melro Tobias, amigo do Quico e do Ventor

Está decidido!

Hoje de manhã, ao romper do dia, aqui na janela, junto ao local que foi o Miradouro do nosso amigo Quico, tive uma conversa com o Ventor.

Claro que, primeiro, vou ter de me apresentar.

Eu sou um dos muitos amigos do Quico, o gato que foi companheiro do Ventor e também meu (nosso).

Sou um melro aqui do jardim, e o Ventor deu-me o nome de Tobias! Um blackbird, nascido aqui, perto do Miradouro do Quico.

Somos uma família de melros naturais aqui da Amadora. O Ventor, logo pela manhãzinha, quando via o Quico de orelhas levantadas e olhar firme, no choupo, em frente, não precisava de mais nada. Mesmo sem me ver, perguntava logo: "queres um bocado de pão, Tobias"?

Claro que eu não me fazia rogado!

O Quico do Miradouro e eu daqui do choupo, todas as alvoradas, conversávamos muito e quando nos juntávamos os três, o Quico, eu e o Ventor, nunca mais acabávamos.

Nos últimos tempos, o Ventor deixava tudo aberto para não faltar o ar ao meu amigo Quico. Eu vinha caladinho, ainda muito cedo, até à janela, espreitá-los. Eles ou estavam sempre ao lado um do outro, deitados no chão da sala ou o Ventor ficava deitado na sala e o Quico vinha para a varanda e deitava-se num tapete dobrado para que a dobra servisse de almofada e, sempre à vista do Ventor

O Quico, nos seus últimos dias de vida, disse-me: "vou morrer, Tobias"!

"Ouvi a Vet dizer ao Ventor que eu teria uma doença má. O Ventor pensa que eu não sei, mas eu sei porque ouvi tudo. Além disso, eu sinto que estou a morrer"!

Estavam tão tristes, o Quico e o Ventor. Até metia dó olhar os dois!

Uma manhã, na véspera do Quico morrer, ainda muito cedo, eu, voei do choupo até à janela e, ao pousar, meti uma pata mal na calha de alumínio e fiz uma grande algazarra que assustei o Quico, o Ventor e até a mim próprio.

O Ventor olhou para mim admirado por ainda ser tão escuro e eu já andar ali, e o Quico, com aqueles olhinhos bonitos, mesmo doentes, disse: "tão cedo, Tobias"!

"Ainda é tão escuro para ti e matas-te"!

Depois, quando o Ventor foi à casa de banho, pediu-me: "Quando eu morrer, Tobias, peço-te que continues a ser amigo do Ventor. Ele vai ficar muito triste sem mim. Ele vai olhar o meu Miradouro e vai sentir sempre a minha falta! Por isso, vai andando por aqui, ok"?

No dia seguinte, de manhã, o dia fatídico para o Quico, a janela estava fechada. Espreitei, mas não vi ninguém. Mais tarde, pelas 09:30, quando me encontrava sobre uma laranjeira a ver se arranjaria por ali uma minhoca, vi o Ventor levar o Quico embrulhado num lençol de banho, rosa com riscas azúis, para o carro.

Fiquei tão triste que fui alertar toda a nossa vizinhança, os meus amigos, do Quico e do Ventor.

Pombos, pardais, pintassilgos ( os pintinhas do Ventor), patos, alvéolas, pintaroxos, cisnes, gatos, cães... tudo ficou a chorar pelo nosso grande amigo, o nosso Quico. O Quico já me tinha dito que o Senhor da Esfera toma conta de todos que passam para o lado da noite do «sono eterno».

Mas o Quico contou-me muitas coisas lindas. Coisas que ele sabia e outras que aprendeu com o Ventor. Por isso, amigos, o Ventor disse-me que ia deixar os amigos do Quico prosseguir com os seus Blogs e, como eu tinha sido aquele que, praticamente, também assisti ao seu fim, seria eu o primeiro dos seus amigos a escrever um post. E que sempre que quisesse, e até, mesmo chorando, eu também podia escrever aqui o que o Quico me contava. O Quico ouvia coisas ao Ventor e depois contava aos amigos que andavam por perto dele.

E como somos muitos a querer que o Quico continue por aqui connosco, quem melhor que nós, os amigos do Quico, para o mantermos vivo nas nossas memórias?

Agora sou eu, são os patos, são as netas e bisnetas da Isabelinha, são as andorinhas que tinham inveja de mim por monopolizar quase todo o tempo do Quico.

Quando eu conheci o Quico, ainda antes do Ventor me chamar Tobias, o Quico também ralhou comigo, sabem? Ele fez uma grande gritaria quando me viu tirar uma minhoca do relvado! Eu disse-lhe que, para eu sobreviver, teria de comer minhocas mas, se me dessem alguma coisa, pelo menos não comeria tantas! Ele não queria que as minhocas morressem assim, mas elas são a nossa principal fonte de proteinas!

E o Quico disse: "pois é! O Senhor da Esfera fez tudo mal feito! Este mundo", - disse ele - "só tem uma coisa boa. É azul"!

Mas o Ventor não queria que tivéssemos esta conversa hoje. Ele está com as gripes! Disse-me que tinha a gripe das aves e mais umas quantas e, por isso, era melhor afastar-me. Ele até me disse que as ia matar todas!

Tinha a gripe A, a B, a C ... e não sei quê! Mas diz que estes dias, entrincheirou-as todas no seu organismo e, conseguiu que elas se virassem umas contra as outras, acabando por se matarem umas às outras. Agora o Ventor disse-me que estava com medo que dessa guerra "inter-gripina" saísse alguma estirpe muito pior. Por isso, mandou-me afastar e que só voltasse quando ouvisse ele gritar alto - TOBIAS!!!!!!!!!

O Gasparzinho

O gasparzinho

Estas fotos representam o novo Gaspar.

O Ventor disse-me para vos contar que o cão da tia da Joana, o Gaspar, que morreu   atropelado na estrada e foi  enterrado lá no jardim, agora tem este novo Gaspar que passou a ser o seu guardião.

Disse-me também, que o senhor que lhe vendeu este cachorro, lhe ofereceu uma cadela, irmã dele, com 7 meses, mas o Ventor não tem a foto dela.

Ete Gaspar nº 2 terá nascido cheio de sorte e a irmã dele em dias de azar, porque os ex-donos chatearam-se e foram levá-la ao antigo dono. Deus queira que passe a ter mais sorte.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

06.10.09

Companheiros da Amizade


Ventor e Quico

São isso mesmo.

São, de facto, os nossos grandes amigos.

São incomparáveis!

São tão diferentes de nós!

São os companheiros da amizade!

Eles, todos os seres vivos que caminham a nosso lado, são instintivos, são companheiros, são camaradas, e são muito melhor que nós!

Eles não fabricam armas para matar os seus companheiros de caminhada! Podem, instintivamente, em sua defesa ou em defesa do seu espaço, da sua sobrevivência, tomar a atitude instintiva de defesa da sua vida. Mas são limpos na luta! Não fabricam armas!

E, até morrem por nós!

Foi o que aconteceu ao Gaspar, este belo animal.

Eras tão lindo, Gaspar, e tão feliz! Todos vamos ficar com saudades tuas e nunca te esqueceremos

Insistiu em acompanhar os donos. Eles levaram-no para trás e prenderam-no, para ficar sossegado, até à sua chegada.

Mas o Gaspar era um cão e queria mais. Queria acompanhar os donos que o adoravam e ele a eles. Forçou o sistema de prisão e deu-lhe para tomar uma atitude diferente. Ir atrás deles!

(O Quico era o contrário! Se lhe cheirava que eu o levaria para qualquer lado, procurava um lugar seguro. Bastava eu dizer: "onde está o gato"? Ele ouvia e sumia!).

Por isso, o Gaspar pensou: "Se o carro foi por ali, se vai sempre por ali, será lógico que, se eu for por ali,  vou encontrá-los. Quando vou com eles, também é por ali que eu vou"!

Mas, o que o Gaspar não sabia era que este mundo já não é para eles. É apenas para o homem! Fazem-se as grandes estradas e os grandes bólides e já nada é como no tempo em que os animais se safavam instintivamente de outras ciladas.

Por isso, desta vez, tudo correu mal ao Gaspar.

Um dia, encontrei um cão, um cão perdigueiro, preso junto do galinheiro, ao lado das suas companheiras de todos os dias - galinhas. Ele estava preso e não passaria de um objecto a que davam de comer!

Não sei se o Gaspar era ou não mal tratado, mas sei que não era um cão feliz, quando  estava aprisionado.

A sua amiga que chegava de Lisboa para ver as obras do seu novo mundo, Lugar ao Sol, não gostava nada de ver o Gaspar aprisionado. Via-o junto das galinhas e ia lá fazer-lhe festas. Um dia atreveu-se a pedir aos seus donos que lhe dessem o Gaspar. Afinal ele não lhes servia para nada!

Conversa daqui, conversa dali, eles vendiam-lhe o Gaspar, mas ela disse-lhes que o amor não se compra nem se vende! Eles, aqueles novos vizinhos, resolveram oferecer-lhes o Gaspar! Então, o Gaspar passou a ter um tratamento VIP!

A Dona do Gaspar e o Gaspar acreditam que a amizade nunca morre

Um dia, fiquei a saber que o Gaspar iria ter novos donos. Cheguei lá e lá estava tudo para o Gaspar! A sua casota nova, um autêntico palácio! Duas divisões! De uma lado para comer e beber, do outro, para dormir e descansar, de dia porque, de noite, ficava em casa com os seus donos, os seus amigos.

Mas o Gaspar, para além da sua casota nova, passou a ser tratado como um Príncipe! Ele fazia parte das coisas mais lindas que os seus donos tinham! Ele passou a ser o guardião de seus donos, do novo Rafinho branco, das Chinchilas, dos gatos e especialmente do Gil, dos Bicos de Lacre, das tartarugas e de todos que entravam no Lugar do Sol!

Sempre que eu lá ia, havia uma conversa entre eu e o Gaspar. Mas, o Gaspar não conseguia adaptar-se à minha presença. Há quarta vez senti que ele estava diferente e mais uma vez, eu e o Gaspar, caminhamos sobre o muro em volta da casa, conversando.

O Gaspar deixou-me fazer festas na sua cabeça e pediu-me para não chorar tanto pelo meu Quico.

Ele gostava muito do Gil e disse-me que ainda viríamos a ser grandes amigos mas, agora, os seus donos eram a sua prioridade!

Ele, no sábado, 3 de Outubro, pela noite dentro, deu voltas ao meu carro, despedindo-se com carinho. Mas ontem, dia 4 de Outubro, dia de S. Francisco, o Gaspar, escolheu mal a sua caminhada! Ele partiu atrás dos seus donos, mas o azar acompanhou-o. Atropelado com a coluna partida, foi levado para o Veterinário, onde ainda lambeu as mãos aos seus donos, pela última vez, e morreu!

Já não me chegava chorar pelo meu Quico e não consigo deixar de chorar pelo Gaspar e pelos seus donos, pois tenho a certeza que se adoravam e agora também vivem na tristeza.

Eles, agora, só têm o palácio do Gaspar, as camas do Gaspar, tudo que era dele e, até um roupão azul lhe tinham comprado. Quando o Gaspar tomava banho, já tinha um roupão para vestir!

Estava aqui, ao telefone, a falar com o meu amigo Luis, em Paris, a falarmos dos nossos tempos pelas nossas Montanhas Lindas e o Gaspar estava a morrer atropelado quando caminhava por uma estrada, trepando à procura de seus novos donos.

Descansa em paz, Gaspar. Quem me dera que tu e o meu Quico ficassem juntos um do outro. Vou pedir a S. Francisco.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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