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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de banmbu


29.11.05

Um ZX dos Diabos


Ventor e Quico

Amigo!

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O nosso carro preto. Era um ZX dos diabos!

Diz o Ventor que há amigos e amigos.

Vejam vocês e isto não é coisa de gatos, o Ventor até tinha um amigo feito de metais e borrachas. Não era um Carocha dos Diabos, mas era um ZX dos Diabos. Foi tão amigo, tão amigo, que até não dá para acreditar.

Foi um carro que, durante 13 anos e três meses só levou tareia (sempre estacionado) nunca bateu nos outros. Era um carro muito pacífico! De todos os carros que o Ventor guiou, foi aquele de que mais gostou e preparava-se, há três anos, para o reformar. Quando decidia ir a um Stand para trocá-lo, por um dos seus irmãos mais jovens, o Ventor olhava-o e dizia: «porque raio te vou trocar? Tu não me deixas ficar mal e se calhar vou arranjar um novo já cansado. Nah!»

Em três anos, o Ventor por duas vezes chegou a ir ao Stand, chegou a iniciar a hipótese de troca mas, ao sair, olhava o Preto e dizia-lhe que se estava a sentir um traidor. Um bom amigo nunca se abandona! E lá foi continuando com ele. O Preto era para nós um bibelot, até para mim que não gostava de andar nele!

Cheguei a ir nele com o Rafinho (o nosso coelhinho anão), com o Ventor e a minha dona para vários sítios, especialmente para Milfontes, uma das paixões alentejanas do Ventor.

Eu e o Ventor guardávamos o Rafinho dos outros gatos num quintal cheio de ervas, junto ao rio Mira. Mas o Rafinho não confiava em mim e mal que o Ventor entrava a porta para ir buscar uma bebida, o Rafinho era o primeiro a entrar porta dentro e eu ficava ali à sombra à espera dos dois. Ele andava sempre junto ao tornozelo do Ventor. Quando regressávamos a casa, o Ventor iniciava a marcha e dizia para o Pretovamos Preto, porta-te bem que quero que este Maralhal chegue a casa inteirinho. Eu não sabia como estar e o Rafinho também não ajudava muito, mas lá regressávamos sempre inteiros.

Agora que o Ventor tinha tomado uma decisão, de comprar outro carro mas ficar com o Preto para ir visitar os seus amigos bichos, nas suas caminhadas mais curtas, um outro preto, este de África, armado em campeão atravessou uma rua com 9,20m e foi-se despedaçar contra o nosso Preto.

Apanhou de raspão um Golf novo pelo pneu traseiro que estava à frente do Preto em cima do passeio e atirou com ele contra o nosso partindo-lhe o farol dianteiro esquerdo, enfeixou-se na porta dianteira esquerda do nosso e apanhou o sinal de proibição de estacionar que foi partir a porta traseira do nosso Preto.

Apanhou com um Golf, com um Tigra e com o sinal, tudo em cima dele! Na véspera o Ventor tinha-lhe dito: tu não vales quase nada em termos comerciais, mas foste um grande amigo e eu não te vou enviar para a sucata, estás muito bom e ainda vais ir comigo, mais uma vez à Pedrada. Vais ficar nas minhas montanhas lindas à sombra das canecipes a ver-me subir as encostas e esperares para me veres descer, como sempre fizemos. Pelo menos mais uma vez!

 O Preto ficou tão contente que ficou a sonhar com aquela vontade do Ventor de voltar com ele àquelas maravilhosas montanhas. Ele estava muito bom e como diziam aqueles que sabiam tratar dele, só um cataclismo o colocaria fora de circulação. Agora levam 4.000 euros para o arranjar, mas o Seguro, só quer dar ao Ventor 450 euros! O valor venal! Ora se trocasse o Preto, só na troca, as Finanças davam-lhe mil euros pelo seu abate! Afinal pagamos os seguros para quê?

Mas o Ventor não vai com as chulices dos seguros. Não vai, não! Agora vejam! O Ventor já foi ao ferro velho à procura das peças para o seu Pretoe não arranja, mas a Citroên arranja-lhe as peças todas novas por 600 euros. Depois é só colocá-las! O Ventor acha que vai tratar mesmo do preto. Se não houver danos estruturais como parece, vai mesmo tratar dele e vai pelo menos, gastar os seus pneus novos!

A verdade é que o nosso Pretofoi acordado de um sonho às cinco e tal da manhã de um domingo e o Ventor também estava a sonhar quando a campainha nunca mais se calava. Levantou-se, vestiu o robe, espreitou pelo ralo e pronto. Um polícia! O Ventor abriu a porta e o polícia disse logo: um gajo deu-lhe cabo do carro. Partiu-lho todo!

O Ventor vestiu-se calmamente. Afinal não tinha pressa de ver o seu Preto todo partido. Saiu de casa e, em volta do nosso Pretoestavam sete polícias, um preto africano de telemóvel na mão a contar a sua desgraça a alguém e mais umas pessoas. A primeira coisa que o Ventor ouviu foi o outro preto, o africano, dizer ao telemóvel: eu sei que voo ser preso, pá! Ouviu também um dos polícias dizer-lhe que já estava farto de o ver ao telemóvel. Em vez de responder às perguntas, parecia que estava com vontade era de gastar o telemóvel com conversas sem interesse e ele tinha mais que fazer!

Depois? Bem, depois tem sido o diabo. A ranhice da seguradora do outro indivíduo Os números, os faxes, os valores isso eu depois conto-vos quando o Ventor me deixar.

PS. O Ventor chegou há pouco da Oficina e já sabe que não há danos estruturais!


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

21.11.05

Quanto ao amor


Ventor e Quico

Vejamos! Amor é uma palavra muito utilizada na blogosfera e não só e, às vezes, o Ventor fala-me dele. Por exemplo, quando me tapa com as minhas mantinhas ele está-me a mostrar muito amor.

Quando ele me fala dos amigos abandonados, ele fala-me de muito amor.

Quando ele vem carregado de comer para os meus amigos, às vezes com muitas dificuldades devido aos seus problemas de coluna, ele fala-me de muito amor.

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Quico a descansar

Digam lá se isto não é amor?! Com o frio que já se pôs, sabe tão bem uma mantinha em cima e os meus amiguinhos lá por fora ao relento. Sinto-me triste! Quando ele me diz que há pelo mundo muitos homens terríveis que, como no Iraque, (degolavam) cortavam o pescoço dos filhos à frente das mães, como aconteceu com estudantes em Bagdad, apenas por dizerem que não gostavam do Sadam, ele também me fala de amor e diz-me qual a diferença entre amor e ódio.

Mas apesar de essas façanhas como as que se desenvolveram em Bagdad e por muitas razões que somadas originaram uma guerra, ali como noutros lados, ficamos a saber que amor e ódio são realmente antagónicos. Por isso falamos apenas de amor. O Ventor não compreende porque há tanto ódio nos cérebros das pessoas e como há tão pouco amor quando a humanidade entra em confrontos absurdos, mesmo quando, às vezes, somos levados a tomar posições sem sabermos concretamente como matar o ódio e dar vida ao amor. Mas diz também que, se praticarmos o amor nas coisas simples da vida, será natural que nas difíceis o ódio seja derrotado.

No entanto, as coisas simples da vida nem sempre são envolvidas pelo amor. Por exemplo: Um caçador que vai à caça e leva os cães dentro de uma gaiola a trepidar durante Kms, os desgraçados dos cães vão a ladrar, protestando. É simples e natural protestar, não? Mas o caçador é macambúzio e ao abrir a gaiola, o primeiro cão que sai a ladrar leva logo um coice daquele burro em figura de gente. Bastava baixar-se e fazer uma festa ao animal e até pedir-lhe desculpa pela estupidez de o transportar em tão más condições. E muitas outras coisinhas assim! Mas depois há o amor natural que envolve o corpo e a alma e aqueles bichinhos que têm corpo e também amam, terão alma? Vejamos estes!

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Estes dois bichinhos, tentam dar continuidade à sua espécie e isso é, certamente, um acto de amor 

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E estes? Estarão também a praticar um acto de amor

Disto vemos continuamente na nossa caminhada como diz o Ventor e primas destas até eu já tenho visto quando entram pela varanda dentro a gritar: "estou doido (ou doida) por ti”"!

Mas há outras formas de amor como esta. O Ventor estava todo lampreiro a fotografar o gafanhoto, ao mesmo tempo que esta mosca gritava desesperada para que ele a tirasse dali, presa num só fio, daqueles que as aranhas vão largando aleatoriamente pela árvore acima para apanhar vítimas incautas.

Aqui o acto de amor está no acto do Ventor libertar a mosca mas, ao mesmo tempo cometeu um acto de ódio para com a aranha, pois não se preocupou se ela iria almoçar ou jantar nesse dia. E esta é a parte que dá origem às guerras, mas tal como o mundo é imperfeito, também os homens, os gatos, todos os animais são imperfeitos nas suas acções. Só que o Ventor não gosta de ratoeiras!

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Nunca ouviram uma mosca entoar o grito da liberdade? Experimentem!

Por exemplo, este bichinho que mete medo a muita gente e origina uma fobia terrível ao Ventor, é produto de muito amor. Creio que nasceu fora de tempo, mas talvez não. O Ventor encontrou-o de manhã e de tarde voltou lá a pensar se seria boa ideia arranjar outra solução para o manter sobre controlo e ver nascer a beleza colorida que, tão maravilhosamente, cruza os ares à nossa frente. Mas ele já lá não estava. Ou foi comido ou os pássaros pegaram-no e tiveram de o largar fora do local pois ele dali, não poderia fugir aos olhos do Ventor.

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Uma beleza deste nosso Universo.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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