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A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

A Arrelia do Quico

Somos todos filhos do Sol e amigos do Ventor

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O Quico continua a observar-nos

Ele eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa gostaria de ter

 

 

 

 

Hoje tenho outro companheiro, amigo do coração, a que vim a chamar Pilantras.

A tua Dona diz que foste tu e a deusa Bastet que o enviaste para nós. Parece que o nosso amigo Pilantras continua a querer  ser tal  como tu eras.

Eu até acho que foste tu que lhe deste instruções para saber conviver comigo. Em muita coisa são muito parecidos. Pelo menos, tudo indica que sim.

Mas tu adoravas animais e ele não. Nunca me esqueço da tua luta para eu salvar o besouro a afogar na água entre os tronquinhos de bambu


Estas são as janelas da Grande Caminhada do Ventor


Seg | 11.07.05

O Filho do Lobo

Ventor

Mais uma história do Ventor, tal como ele ma contou. Será desenvolvida mais tarde, no meu Site.

«O filho do lobo era um cão muito parecido com o lobo e que tinha por dono um tio meu. Esse meu tio, por afinidade, que andou sempre aqui pela região de Lisboa, mais precisamente, na área de Sintra, como todos os que chegam à idade da reforma, pensou em ir para a terra e arranjar entretimento.

Um dia, na minha caminhada pelas minhas Montanhas Lindas, fui encontrá-lo num local a que chamamos As Fontes (nascente de água divina), sentado à sombra de uma árvore, com três cães e as suas cabras, à custa das quais ele continuava a subir montanhas e a tentar manter-se activo.

Ao olhar o cão, estranhei-o e perguntei-lhe onde o arranjou. Ele disse-me que aquele cão era fora de série e que era filho do lobo. Era filho do lobo e de uma cadela doméstica que andara aos cães e acasalou com o lobo nas montanhas. Gostou do cachorro, que logo desde pequeno se notava a sua procedência e pediu-o ao dono da cadela que prontamente lho ofereceu. Era um cão bem mandado e adoptara as cabras como suas companheiras.

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Montes das Fontes

Como demonstração, da sua superioridade, ele mandou dois pedaços de pão para o meio dos cães e todos acorreram para apanhá-lo, mas ele deixou que fossem os outros dois a pegar o pão. Ele acorreu apenas com um ligeiro movimento e a visão a controlá-lo e a ver os outros pegá-lo, praticamente, não se mexeu! Voltou a fazer a experiência e o cão lobo voltou a seguir o pão com os olhos e a deixar que fossem os outros a pegá-lo. Por fim, agarrou num bocado de pão e deu-o ao cão lobo que o pegou e comeu-o. Ele apenas pegava o comer quando o dono dizia que era para ele!

 Ora eu, que percebo alguma coisa de cães e nada de lobos, pressupunha o contrário de tudo o que observava ali com um animal 50% lobo. Ele na forma, não no tamanho, era um autêntico lobo. Só vi aquele animal duas vezes mas nunca mais o esqueci. Só que as coisas nem sempre são como nós gostaríamos que fossem! O meu tio morreu, as cabras ficaram sós e o filho, meu primo, vendeu-as. Os cães ficaram ao abandono lá pela Assureira local ainda afastado da aldeia e, não querendo ligar às outras pessoas iam comendo como podiam. Talvez apanhassem coelhos, mas a verdade é que não foram adoptados por ninguém.

Numa determinada altura começaram a ser mortas ovelhas e toda a gente foi levada a pensar que aquele trabalho só poderia ser levado a cabo pelo filho do lobo, uma vez que os lobos não eram vistos em lado nenhum. Dera-os Deus! O meu primo ou qualquer outra pessoa, convencidos que, certamente, o filho do lobo, seria o cão assassino, mataram-no a tiro, sem direito a ser julgado, é caso para dizer, pois ninguém viu o filho do lobo a matar qualquer animal e quando o viam apenas dava ao rabo a cumprimentar as pessoas que chegavam. Este cão era tão submisso que, quando estava junto do dono, com os outros, andava sempre com o rabo entre as pernas. Ele adoptou o dono como chefe do grupo e os outros como companheiros que o receberam no grupo! Era, socialmente, um lobo autêntico.

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 Um lobo

Depois de matarem o filho do lobo, as ovelhas continuaram a ser mortas e, alguém viu que andavam por ali cães que não eram da terra e que eram cães e não lobos. Os homens julgaram-nos à revelia e mataram-nos! Nunca mais houve, ovelhas mortas por aqueles lados e todos ficaram a saber que não foi o filho do lobo que, de lobo cão ou cão lobo, fiel e submisso, pensaram, se tinha tornado num cão lobo assassino!

 Este cão lobo, filho inocente deste mundo, foi morto por gente pouco dada a investigar e sempre pronta a esmagar qualquer animal que se desvie um milímetro fora do trajecto sem o aval do dono. Donos ou não, habituados a pensar e actuar friamente, como animais irracionais, sem fazerem um julgamento claro e justo como mandaria o bom senso. Assim, já vão alguns anos, na minha caminhada pela minha terra, também vejo como a injustiça se sobrepõe à justiça, tal como em qualquer canto do mundo isso acontece, com os homens e, mais ainda, com os animais».


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

Qua | 06.07.05

Os Esquilos

Ventor

Ontem o Ventor foi ao local dos pica-paus e viu três.

Andava uma ave de rapina sobre os sobreiros e ele ouviu um sinal que lhe era familiar. O som era de pica-pau, mas ficou sem saber se era um alerta motivado pela presença da ave de rapina, se pela presença do Ventor. A verdade é que ele preparou a máquina para ver se apanhava algum ou os três mas não conseguiu fotografá-los.

Depois de os perder, uma terceira vez, ficou a tentar encontrá-los no meio das árvores e, de repente, dois passaram sobre a sua cabeça e depois um terceiro que ficou a observar o Ventor, junto a um muro, passou sobre ele e fez uma chamada. O ventor não voltou a vê-los e não conseguiu nenhuma foto. A verdade é que ficou todo contente por ver os seus amigos e hoje era para lá voltar, mas mudou de destino.

Apareceu de surpresa em Monsanto para dar um olá especial aos esquilos que já não via há algum tempo. Por isso foi matar saudades dos seus companheiros de Monsanto e dedicou-lhes a tarde. Logo ao chegar, viu uma águia com os seus pios inconfundíveis e concluiu o seguinte. Como a águia gritava voando: ou chamava o casal ou era um filhote a chamar os pais, ou tentava espantar a caça para a controlar.

O Ventor não percebe nada disso mas acredita na 3ª hipótese! Tirou-lhe duas fotos e seguiu viagem pelo intenso matagal. Depois conseguiu ver um esquilo no chão, mas enquanto preparou a máquina, o esquilo subiu um pinheiro e começou a brincar às escondidas com o Ventor, assim do tipo: «estou aqui! Aqui não, ali»! E assim por diante.

Mas o Ventor que antes de encontrar o esquilo estivera junto de colmeias de abelhas como as do seu amigo Chica, em Adrão, não estava para brincadeiras. Queria era ter a certeza se as abelhas não vinham atrás dele, pois faltava-lhe ali o Chica para lhe dizer: «não te mexas, que elas não te fazem mal»!

Depois começou a disparar sobre os esquilos! Tiros, não! Fotos! Tiros eram no Campo de Tiro de Monsanto que nem eu nem o Ventor achamos boa ideia, mas ...!

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Uma das várias fotos do esquilo - o primeiro

Ele escondeu-se no meio de pinhas a gozar com o Ventor e o Ventor, já chateado, disse-lhe: "olha rapazinho, comigo não te safas! Eu espero aqui, se for preciso, até ser de noite, para te obrigar a sair da árvore»! «Ora - diz ele - se eu sair de noite, essa porcaria não tira! Mesmo agora já é uma chatice»!

O Ventor viu logo que ele ganhou e disse: "está bem! De qualquer modo vou-me sentar e pensar nisso. Afinal, as abelhas ficaram para trás"!

«O quê? Então tu desafias o Ventor? Seu» ... e veio logo uma churrada de nomes de esquilo para esquilo. De repente estavam três à luta na mesma árvore!

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 O Esquilo em diálogo com o Ventor

Mas o Ventor já tinha ido embora e tentara fotografar um gaio que estava sobre outro pinheiro, mesmo junto à sua cabeça e gozava também com ele. Diz o Ventor que nunca mais vai ter oportunidade igual para fotografar, decentemente, um gaio!

 Chateado com o gaio, acabou por regressar e passar junto ao pinheiro do esquilo. Este começou a gozar com ele. «Já corri com os outros dois! Agora, como és um gajo decente, deixo-te tirar mais uma foto». E o Ventor tirou!

 

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Os outros fugiram para ali

O Ventor decidiu ir-se embora. Disse-lhe que não se importava o local para onde os outros dois fugiram. Mas o gajo era maluco e pediu ao Ventor para subir a árvore como ele. Se não sabia, podia aprender!

 

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Ele faz a demonstração como é

O Ventor decidiu não ligar-lhe mais e veio-se embora. No caminho, no meio de um grande matagal de grandes pinheiros e outras árvores, ouviu os gaios em grande algazarra e desceu uns penhascos para ir observar. Andava lá uma ave de rapina a tentar apanhar um gaio mas, no meio de tanta densidade, não conseguiu indetificá-la. E ela partiu sem gaio. Uma das aves de rapina mais especializadas neste tipo de caça é o açor. Também, há tempos, o Ventor assistira na bouça a uma luta igual, e ficou também, sem se certificar se era o açor que pretendia apanhar um gaio, mas também não conseguiu.

Mas a águia continuava lá! No regresso do Ventor, ela voltou a passar por cima dele junto à cabeça, largando os seus pios inconfundíveis. O Ventor tentou imitá-la com um assobio semelhante, mas ela foi-se para os lados da Buraca, pensou o Ventor mas, entretanto, viu-a regressar e tornou a perdê-la. O Ventor voltou a imitá-la e convencido que ela tinha ido definitivamente, fechou a máquina e desistiu. Mal a máquina fechou, acaba aquele monstro de dar umas voltas sobre as copas dos pinheiros perto e voltou a fazer uma passagem baixa sobre o Ventor. Essa é que tinha sido a foto! Ficou para a próxima.


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

Dom | 03.07.05

O Tira-olhos

Ventor

Ainda não é este o tira-olhos que o Ventor queria, mas foi o que arranjou. O Ventor andava a ver se ele pousava para lhe tirar uma foto e pousou, mas de repente esvoaçou para os ramos ao lado. Quando o Ventor preparava a máquina olhando o vulto do tira-olhos, ele estranhou algou que se passava lá. O Ventor colocou a máquina em posição de fotografar mas já o tira-olhos tinha tirado uma abelha a este mundo.

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Vê-se bem que tem uma abelha abocanhada

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Está a comê-la encantadamente Apenas pediu ao Ventor para não se meter na vida dele e a abelha já fora. Enquanto a comeu deixou o paparasi do Ventor tirar fotos à vontade e nem tentou fugir. Disse que estava esfomeado. Realmente ao olhar-se aquele cilindrinho tão estreitinho, vê-se que estava com fome. Uma chatice!

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Ele continua a devorar a abelha, mas o Ventor pensava que ele fugia e continuou a disparar ao calhas. Bem podia tirar melhores fotos!

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Parece que só sobra a asa da abelha

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 Ainda lá está a asinha

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E ei-lo de papo cheio! Prontinho para arrancar e ir arranjar algo mais, pois a abelha, segundo disse ao Ventor tinha sido apenas o aperitivo para uma tarde que se iniciava e à noite já teria de estar muito bem composto para na manhã seguinte ter condições para continuar a caçada. Mas o Ventor bem o avisou para não voltar a apanhar uma abelha junto dede!


O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia

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