Isto diz o Ventor!

 

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A mestra de todos os instrumentos musicais, Euterpe, prometeu ao Ventor nunca o deixar só sempre que ele se abeira-se da beleza do nosso Tejo

 

O Ventor já tem falado por aqui nas velhas, mas sempre jovens Musas do Tejo - as Tágides do nosso Camões. Lembram-se?

Um dia destes, o Ventor, como sempre, muito entusiasmado, quando consegue levantar a perna e mandá-la para a frente, reduzindo os metros das distâncias previstas, caminhava nas margens do Tejo, o nosso belo rio que está sempre a abraçar Lisboa.

 

O Ventor deixou a minha dona a almoçar nos Sabores do Atlântico com algumas das suas amigas e, então, como não lhe apeteceu ir almoçar, utilizou aquele tempo da maneira que lhe pareceu mais útil e foi dar um belo passeio pelos locais da nova Lisboa, aquela parte onde se realizou a Expo'98. Caminhou durante pouco mais de 2 horas e observou o rio Tejo por ali, a Ponte Vasco da Gama, o Mar da Palha, toda aquela zona ribeirinha com as gaivotas, as garças e demais bicharada aérea que por ali se banqueteia, sem esquecer os belos flamingos.

Sabem como o Ventor fez a fotografar flamingos? De rajada! Podia ser que desse algumas fotos de jeito! Eles estavam tão longe!

 

 

Em tempos, os flamingos caminhavam pelo Tejo aos milhares. Eles iam e vinham só pelo prazer de ouvir as Tâgides tocar as suas flautas com a maestria da Euterpe, sem esquecer o toque dos búzios sempre que o Ventor, Diana e o nosso amigo Apolo se aproximavam

 

Mas o Ventor não esqueceu as musas!

 

Caminhando no passeio das Tâgides, elas nunca o abandonaram! Ele olhava e apreciava toda a beleza do Tejo e das Tâgides! A uma dada altura, o Ventor vê-se acompanhado nesse belo passeio por algumas delas e, especialmente, pela bela Musa da Música - a Euterpe que veio visitar as Tâgides!

 

Mas ele, caminhando e fotografando piscos, gaivotas e algumas garças reais ou peo menos aristocráticas, viu passar, bem junto de si, uma dessas beldades toda emproada e, ao mesmo tempo, sentia que o som da flauta queria entrar nos seus ouvidos. O Ventor gritou: "Euterpe"? Mas nada! Ele continuou a caminhar e à sua frente lá ia caminhando a Euterpe, não com a flauta, nem com a lira ou o violino, mas o Ventor achou que se tratava de um violão! Talvez uma guitarra, sei lá! Ele nem sabe! Modernices!

 

 

Euterpe, agora em trajes modernos, e longe do bucolismo de outros tempos, ouve, encerrada na sua tristeza, os últimos acordes que deixa que o Ventor leve nos seus ouvidos

 

A Euterpe disse, num tom sumido: "não fales comigo Ventor"! Tu já não me ligas! Já só ligas a viras do Minho, a chulas, a canaverdes, a fados, a canções sem nexo. Reaprende a ouvir estas minhas músicas Ventor e depois vem ter comigo. Tocarei só para ti"!

 

 

Mas no momento que Euterpe sair do seu torpor musical, como será? Pode, ao voltar-se para trás, reparar nesse monstro de betão que, alguém, se calhar, com apenas uma jinjinha no Rossio, permitiu que outro alguém tivesse a liberdade suficiente para desfigurar esta jovem estrutura da nossa bela Lisboa, quem sabe se mergulhada na sua tristeza não mergulhará também no lodo poluído deste, apesar de tudo, belo Tejo

 

Ele continuou a caminhar só, entretendo-se com os melros, com a Ponte Vasco da Gama, com os piscos, com as garças, com os flamingos ... e, de repente, lá estava a Euterpe a fazer entrar o seu som nos ouvidos do Ventor.

 

 

Imagem tirada da Wikpedia

 

Como será belo ouvir Euterpe rir ao conseguir pôr o Tejo a chorar ao som da sua lira

 

 Mas não foi só a Euterpe que entreteve o Ventor! Foram todas elas! Não sei se sabem que, quando o nosso Camões pediu ajuda às Tâgides, para não o deixarem perder pitada sobre os Lusiadas e o ajudarem a deitar cá para fora tudo o que ele tinha na cabeça, elas utlizaram o som do Búzio e todas as suas manas gregas seguiram a trajectória de Ulisses rumo ao estuário mais belo de todos os rios - o estuário do Tejo.

 

Hoje, de vez em quando, o Ventor vai até junto do nosso rio Tejo e debruça-se para apreciar todos aqueles que dele se servem, mas alguns já fugiram na procura de melhores águas. E outros, por aí andam a tentar sobreviver. O Ventor diz que, em tempos que já lá vão e nunca mais voltarão, certamente, belas Tâgides subiam o Tejo, em correria, montadas nos dorsos dos golfinhos, cavalgando as suas belas águas límpidas e azuis.

 

Se, por obra e graça do Senhor da Esfera, um dia, essas possibilidades voltarem a existir no mar da Palha, então, as Tâgides e os golfinhos chorarão juntos, ao verem todas aquelas aberrações que os "libertinos" que se vão assenhorando desta bela Lisboa, têm permitido que sejam levadas a cabo por homens sem escrúpulos.

 

 

 

Como foi possível autorizar a construção deste mamarracho, no local mais jovem desta bela Lisboa?

 

 

Imaginam como esta imagem foi deteriorada? Ela via-se de todos os pontos e hoje só se vê de alguns. Que parazer mórbido de gente sem escrúpulos!

 

Será que já não há cordas? Porque não pendurar essa malta na própria Torre Vasco da Gama por se permitirem coisas destas! Se não há cordas, usem as cordas dos belos instrumentos da Euterpe. Ela, se for para isso, não se importará de voltar a dedicar-se só à flauta, pois um dia, quem sabe, voltará a tocar flauta e búzio para novas e belas entradas pelo nosso belo Tejo, na companhia do Ventor, de Diana e de Apolo!

Então sim, o Tejo voltará a brilhar!

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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música: Atlantis de Donovan
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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 18:01