Ontem o Ventor foi ao local dos pica-paus e viu três.

Andava uma ave de rapina sobre os sobreiros e ele ouviu um sinal que lhe era familiar. O som era de pica-pau, mas ficou sem saber se era um alerta motivado pela presença da ave de rapina, se pela presença do Ventor. A verdade é que ele preparou a máquina para ver se apanhava algum ou os três mas não conseguiu fotografá-los.

Depois de os perder, uma terceira vez, ficou a tentar encontrá-los no meio das árvores e, de repente, dois passaram sobre a sua cabeça e depois um terceiro que ficou a observar o Ventor, junto a um muro, passou sobre ele e fez uma chamada. O ventor não voltou a vê-los e não conseguiu nenhuma foto. A verdade é que ficou todo contente por ver os seus amigos e hoje era para lá voltar, mas mudou de destino.

Apareceu de surpresa em Monsanto para dar um olá especial aos esquilos que já não via há algum tempo. Por isso foi matar saudades dos seus companheiros de Monsanto e dedicou-lhes a tarde. Logo ao chegar, viu uma águia com os seus pios inconfundíveis e concluiu o seguinte. Como a águia gritava voando: ou chamava o casal ou era um filhote a chamar os pais, ou tentava espantar a caça para a controlar.

O Ventor não percebe nada disso mas acredita na 3ª hipótese! Tirou-lhe duas fotos e seguiu viagem pelo intenso matagal. Depois conseguiu ver um esquilo no chão, mas enquanto preparou a máquina, o esquilo subiu um pinheiro e começou a brincar às escondidas com o Ventor, assim do tipo: «estou aqui! Aqui não, ali»! E assim por diante.

Mas o Ventor que antes de encontrar o esquilo estivera junto de colmeias de abelhas como as do seu amigo Chica, em Adrão, não estava para brincadeiras. Queria era ter a certeza se as abelhas não vinham atrás dele, pois faltava-lhe ali o Chica para lhe dizer: «não te mexas, que elas não te fazem mal»!

Depois começou a disparar sobre os esquilos! Tiros, não! Fotos! Tiros eram no Campo de Tiro de Monsanto que nem eu nem o Ventor achamos boa ideia, mas ...!

 Jul,06 089.jpg

 

 

Uma das várias fotos do esquilo - o primeiro.

Ele escondeu-se no meio de pinhas a gozar com o Ventor e o Ventor, já chateado, disse-lhe: "olha rapazinho, comigo não te safas! Eu espero aqui, se for preciso, até ser de noite, para te obrigar a sair da árvore»! «Ora - diz ele - se eu sair de noite, essa porcaria não tira! Mesmo agora já é uma chatice»!

O Ventor viu logo que ele ganhou e disse: "está bem! De qualquer modo vou-me sentar e pensar nisso. Afinal, as abelhas ficaram para trás"!

«O quê? Então tu desafias o Ventor? Seu» ... e veio logo uma churrada de nomes de esquilo para esquilo. De repente estavam três à luta na mesma árvore!

 

Jul,06 090.jpg 

O Esquilo em diálogo com o Ventor

 

Mas, o Ventor já tinha ido embora e tentara fotografar um gaio que estava sobre outro pinheiro, mesmo junto à sua cabeça e gozava também com ele. Diz o Ventor que nunca mais vai ter oportunidade igual para fotografar, decentemente, um gaio!

 Chateado com o gaio, acabou por regressar e passar junto ao pinheiro do esquilo. Este começou a gozar com ele. «Já corri com os outros dois! Agora, como és um gajo decente, deixo-te tirar mais uma foto». E o Ventor tirou!

 

Jul,06 091.jpg 

Os outros fugiram para ali

O Ventor decidiu ir-se embora. Disse-lhe que não se importava o local para onde os outros dois fugiram. Mas o gajo era maluco e pediu ao Ventor para subir a árvore como ele. Se não sabia, podia aprender!

 

Jul,06 esq.jpg

 

Ele faz a demonstração como é

O Ventor decidiu não ligar-lhe mais e veio-se embora. No caminho, no meio de um grande matagal de grandes pinheiros e outras árvores, ouviu os gaios em grande algazarra e desceu uns penhascos para ir observar. Andava lá uma ave de rapina a tentar apanhar um gaio mas, no meio de tanta densidade, não conseguiu indetificá-la. E ela partiu sem gaio. Uma das aves de rapina mais especializadas neste tipo de caça é o açor. Também, há tempos, o Ventor assistira na bouça a uma luta igual, e ficou também, sem se certificar se era o açor que pretendia apanhar um gaio, mas também não conseguiu.

Mas a águia continuava lá! No regresso do Ventor, ela voltou a passar por cima dele junto à cabeça, largando os seus pios inconfundíveis. O Ventor tentou imitá-la com um assobio semelhante, mas ela foi-se para os lados da Buraca, pensou o Ventor mas, entretanto, viu-a regressar e tornou a perdê-la. O Ventor voltou a imitá-la e convencido que ela tinha ido definitivamente, fechou a máquina e desistiu. Mal a máquina fechou, acaba aquele monstro de dar umas voltas sobre as copas dos pinheiros perto e voltou a fazer uma passagem baixa sobre o Ventor. Essa é que tinha sido a foto! Ficou para a próxima.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


tags:
publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:40