Está aqui, perto de mim.

Eu e o Ventor vêmo-la do meu Miradouro!

 

 

 

Uma beleza a galinha d'água, mesmo aqui em frente ao meu miradouro

 

Daqui também vejo os patos e as garças que vêm e vão e vão e vêm, tal como as gaivotas. Ontem, o Ventor foi espreitar os pavões a Alfragide, os coelhos bravos e, na volta, foi assitir à revolta dos cisnes!

 

 

Os pavões de Alfragide, amigos do Ventor

 

 

Pelo sim, pelo não, sempre alerta

 

 

Eles sabem que o Ventor não vai lá pelas galinhas e pelos galos

 

A mãe Pingas e o pai Pingas já fizeram o ninho. Agora a mãe Pingas já está choca, deitada no ninho e não quer saber do Ventor para nada.

 

Quando o Ventor chegou ela só abriu os olhos e voltou a escondê-los debaixo das percianas e resguardados pelas penas. O pai Pingas também estava ao lado dela no ninho e ao ver o Ventor, levantou-se e disse-lhe: "estava a dormitar, Ventor! Vou ver se os malvados dos meus filhos pôem as patarronas, deles, no meu lago"!

O Ventor encolheu os ombros e ele não quis mais saber do Ventor, desceu para o lago e, diz o Ventor, até parece que meteu o turvo!

 

 

O cisne Pigas, o terror dos seus filhotes

 

Enquanto o Ventor conversava com a mãe Pingas, aquele desalmado experimentou dar uma trepa nos seus filhotes, mas eles fazem-lhe a vida negra. Ele diz que não os quer no lago e os filhotes chamam-lhes pai tirano e tudo. O Pingas não sabe para onde se virar. Corre atrás de um, os outros dois entram no lago. Quando ele corre atrás de outro, o que já tinha fugido, volta a entrar no lago e assim por diante. Às vezes eles ficam fora do lago a gosar com o pai, porque ele não tem a leveza dos filhotes e, em terra, eles ganham-lhe.

 

 

A mamã Pingas prepara-se para pôr os seus ovos

 

Eles fazem um festival e o Ventor não percebe porque não fazem tréguas e se entendem todos no lago. O Ventor já me contou que isto é mesmo a vida de cisne! Constituem família e, depois, ficam todos babados com os filhotes que tão bem zelam por eles como pais, mas quando se aproxima a nova época de acasalamento, os pais correm com os filhos para irem à procura de mundo novo. Mas estes filhos não querem saber! Dizem que nasceram num mundo civilizado e, como tal, têm de se integrar nele! Tudo isto é uma paródia para o Ventor.

 

 

O mais novo filhote, pisga-se ao mister Pingas

 

Depois veio ter com os patos nossos vizinhos e do meio das ervas veio um pst! Pst! Pst! ....Pssst!! Era a galinha d'água, a nossa menina! Ela disse ao Ventor que gostava de me ver e que voltou porque não há sítios decentes paras as galinhas d'água. Nenhum local onde ela possa estar presta e, por isso, voltou porque sempre está perto de nós. Agalinha gosta de nós!

 

 

Mas a luta é sem quartel!

 

Agora o Ventor vai pedir ao responsável pelo ambiente na Amadora (parece que é uma senhora) para deixarem resguardos para a galinha d'água quando limparem a ribeira. Devem limpar a ribeira por troços, para deixar locais para ela se esconder. Se houver boa vontade, não custa nada! O Ventor diz que temos a obrigação de ajudar estas coisas lindas perdidas em nichos do seu velho mundo que os humanos lhes roubaram.

 

 

Prepara-se para fazer uma pausa. Mais lá para o fundo

 

O Ventor diz-me que, antigamente, as ninfas do Tejo, aquelas que ajudaram o Camões a escrever os lusíadas, subiam as ribeiras desde o Tejo até aos mais altos outeiros que rodeavam a Amadora. Elas vinham a saltar de flor em flor, bailando em sítios como aquele onde o Ventor se encontra com os lírios e escondiam-se umas das outras entre as flores. Sim porque as Ninfas a que o Camões chamou Tágides, também brincavam às escondidas e á cabra-cega! Às vezes, até se escondiam nas penas das aves, como as galinhas d'água, os patos, as garças e ... por vezes, até aproveitavam a boleia das gaivotas que também vinham apreciar as belezas que por aqui havia, como ainda hoje fazem. O Ventor já contou creca de 60 gaivotas na serra da Mira, quando fogem ao mar bravo que fustiga a barra do Tejo.

 

As ninfas que, tal como as abelhas, se enchiam de pólen ao brincar nas flores, desciam as ribeiras nas asas das libelinhas e, ao chegarem ao Tejo, lavavam-se todas, ns suas belas margens, furtando-se aos olhos do Ventor.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 00:59