Todos os anos, por esta altura, o Ventor me fala dos seus tempos de Carnaval, primeiro em Adrão depois por esse mundo e aqui na Amadora.

Só que agora os carnavais são outros!

 

 

Brincando ao Carnaval na Amadora. Último dia de aula, um dia de brincadeira. A brincar aprende-se tudo!

 

Ontem estava aqui no meu miradouo a ver os pequeninos a brincarem ao Carnaval. Eles pareciam pintos de galinha muli-coloridos.

O Ventor chegou junto de mim e zás! Puxou da máquina e começou a disparar. Aquela caça era especial e a "arma" também mas, para o Ventor está sempre tudo ok. Dispara e pronto!

Vocês imaginam como se comportaria o Ventor no meio do capim por entre as acácias a ver se enxergava bichos «maus»?

Pois eu também não faço ideia, mas uma coisa é certa. O Ventor caminhava sempre "enrolado por radares"!

 

Cada cão era um radar. Eles com as suas orelhas sempre alerta e com aqueles focinhos a rastrear toda a zona envolvente, facilitavam a vida ao Ventor. Isso ajudava o Ventor a não ligar ao medo ou às potencialidades de viver entrincheirado nele. Caminhava sempre alerta, e depois logo se via. Ele sabia que ali poderia sempre contar com os seus amigos e sabia, também, que há horas de azar, mas não tinha medo só por pensar nisso. Era preciso caminhar e ele não hexitava. Foram assim os seus carnavais, em Nova Freixo!

 

 

Brincando ao Carnaval debaixo de um sol primaveril, na Amadora

 

Aqui, ontem, caminhou entre os "pintainhos", como nessa altura caminhava entre as perdizes e as galinhas pintadas. Mas como estava "desarmado", veio a casa buscar a sua "arma" e começou a disparar. Estava mesmo entusiasmado. Tanto que nem me ligava!

Ele revivia, nessas crianças, os tempos de carnaval, em Adrão. Mas o Ventor sentiu falta das velhas companhias de outrora. Os "velhos" e os "novos"!

 

Esses não estavam ali. Estavam crianças vestidas a imitarem os seus heróis. E olhem que estavam bem representados! Eram zorros, homens-aranhas, super-homens, fadas ... e um nunca mais acabar de supers!

É assim que se brinca agora aos carnavais e também se brinca pelos telemóveis. Nessas maquinetas, depois dos ti-rá-ri-rá, ri-rá ... lá vêm as carinhas larocas, os "heróis" de todos nós.

 

 

Uma das nossas belas fadas

 

O Ventor contou-me mais uma nos seus carnavais.

Quando era pequeno, muito pequeninho mesmo, quando ainda fazia lembrar um gato, ele tinha algumas manias que faziam rir algumas pessoas enquanto outras ficavam chateadas. E era assim nesses tempos. Nos bailes de Carnaval, o Ventor ia levantar as saias às suas companheiras de caminhada de então, as moças. Elas fugiam dele!

Mas num carnaval, ele, pela mão de uma das suas amigas que já não existem, viu um "novo" (aqueles que se mascaravam de noivos) aproximar a sua cara laroca à dele e ele nem pensou duas vezes!

Esticou o braço e, sem hexitar, zás! Arranca-lhe a máscara! Levou uma valente chapada de todo o tamanho e ficou a pensar na guerra que desencadeou. Pensou um pouo e disse para o seu amigo Apolo. Vês! Como neste mundo os aldrabões levam sempre a melhor! Dizem que os "novos" não batem e vê só! Apolo sorriu e disse-lhe: "eu avisei-te Ventor"!

É que, por tradição, só os "velhos feios" batiam nos putos.

 

Dali em diante, o Ventor nunca mais acreditou em ninguém. Nem nas brincadeiras de Carnaval!

 

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


sinto-me: carnavalesco
música: Bossa nova
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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:13