Isto é demais!

Há cada animal neste mundo que aqui o vosso amigo Quico até fica banzado! Imaginem-me com o Ventor junto destas, ... destas belezas! São as rainhas das montanhas, acho que é assim que a rapaziada lhe chama agora. O primeiro que lhe chamou "rainhas das montanhas" foi o Fabrice, filho da França e de Adrão. O Ventor pegou na deixa, porque é assim que ele as vê! Ver caminhar as vacas, por entre as moitas e as rochas, farão lembrar a caminhada duma rainha francesa nos corredores de Versalhes, como se vê nos filmes de capa e espada de Jean Marais - diz o Ventor!

 

Diz o Ventor que as vacas caminham nas montanhas do norte com uma segurança a toda a prova e vê-las deslizar naqueles penhascos, é apreciar um espírito de nobreza puro que se observa no seu porte, na sua passada e no seu próprio olhar.

Eu já estou farto de ouvir o Ventor falar das vacas que eram suas amigas e companheiras de caminhada e que ele nunca esquece, mas agora ele mostra-mas! E eu acho-as tão lindas que quase não acredito! Estes animais, como podem ver, expressam amor no olhar. Elas são companheiras inseparáveis dos seus donos! Estas o Ventor nem sabe de quem são, mas sabe que são de Adrão e tem a certeza que, mesmo não as conhecendo, conhece os seus donos. Elas estão frente à aldeia e os donos conseguem vê-las da janela e, certamente, também estarão a ver o Ventor, mesmo não sabendo que é ele que está lá.

 

Se fosse noutros tempos, o Ventor saberia de quem são estas vacas. Ele conheci-as todas! Mas há uma coisa que eu não vos devia dizer, mas acho que o Ventor é maluco. Não lhe digam nada, mas acho que sim! Sabem porquê? Um indivíduo que anda pelas suas montanhas, de carro ou a pé, que sabe que tem de fazer uma viagem de quase 500 kms até Lisboa e que mesmo assim, no último dia, decide levantar-se muito cedo, levar o carro dos Arcos de Valdevez até Adrão, ouvir os galos cantar e depois ir a pé à Assureira, numa correria sem fim e quase ficar lá estendido, regressando pelas montanhas sob um calor abrasador, só sendo chanfrado. É o que a minha dona diz e tem razão!

Depois ele conta-vos a sua caminhada pela Assureira!

 

 

Ele diz que, depois de atravessar o Grilo, e a Corga das Estacas, sobre um calor abrasador, encontrou esta vaca na Lama das Cruzes e, mal que ela abriu a boca, disse logo: «Ventor»!!!

 

 

Esta outra estava logo a seguir, deitada à sombra, dormitando e remoendo as ervas secas, num estradão que não havia no tempo do Ventor. Olhou o Ventor de soslaio e disse-lhe: «andas por aqui? Já viste o meu rapazola, como ele é tão lindo»?

 

 

O rapazola, este belo vitelo, que também estava deitado, bem formado que é, bem mais que muitas pessoas, levantou-se e fez uma vénia ao Ventor, e disse: tenho poucos meses mas já ouvi falar em ti e tenho muito gosto em te conhecer».

 

 

O Ventor disse-lhe que era muito bonito e que nunca abandonasse a sua mãe acontecesse o que acontecesse, pois é na união de todos que se pode atingir a longevidade e que tinha por ali alguns amigos que gostariam de lhe dar uma dentada, razão porque nunca deveria abandonar a mãe! E o Ventor tinha razão, um indíviduo, seja qualquer animal, seja uma pessoa, deve sempre acompanhar a sua mãe. Eu não fugi à minha mãe nem ela me abandonou! Este mundo dos homens é que complica tudo! Espero que este vitelinho nunca abandone a sua mãe!

 

 

Vêm como ele olha e escuta o Ventor?

 

 

Depois pede ao Ventor para não se ir embora, mas ele disse-lhe que tinha de ir e que devia estar nos Arcos pelas 13 horas para almoçar, ir a outro sítio, e preparar a arrancada para Lisboa.

 

 

«Então adeus Ventor! Nunca te esqueças de mim, ok»? Vejam o que ele foi dizer! Como se o Ventor esquecesse coisas lindas como ele.

Sabem que o Ventor ainda o quer ir ver este ano? Telefonaram-lhe, há pouco, da América a dizer-lhe que se prepare para fazer mais uma arrancada até Adrão, dentro de dias! Lá vou eu ficar sem ele outra vez! Que chatice!!!

Vejam o Fotoblog do Quico



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 15:16