Hoje vou fala-vos das nossas amiguinhas dos céus! É assim que o Ventor lhes chama e eu acho-lhes muita piada!

 

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Andorinhas

 

Elas, as andorinhas, embelezam os céus de Portugal! Há dias, o Ventor chegou aqui a gritar para mim que viu uma amiguinha do céu - a primeira, em 2005! Foi, na serra da Mira, em 17 de Março de 2005. Agora eu vejo-as todos os dias. Basta ir às varandas! De um lado vejo as amiguinhas do céu e do outro a mesma coisa. Só que de um lado, duas amiguinhas do céu estão a fazer a sua casota por baixo da varanda ao lado da nossa! Então o Ventor diz que os machos são mais calões. Assim como ele e como eu!

 

O macho arma-se em arquitecto e imagina-se a ver a planta para a sua nova moradia, enquanto a fêmea vai buscar a matéria-prima para a construção. Depois o macho tem vergonha e lá vai também! Elas são muito lindas a voar e eu só me apetecia agarrar uma com estas patarronas e dar-lhes muitos beijinhos ou, se preferirem, lambusadelas de gato! Mas a visavó da Joana contou-nos uma história a mim e ao Ventor.

 

Diz que quando era pequena o Sr Alves, um homem que já não existe, tinha uma taberna perto da casa da mãe dela. Nessa tasca, os homens iam beber uns copos e petiscar algumas coisas e quando vinha a Primavera, as andorinhas, as tais amiguinhas do céu de que o Ventor nos fala, vinham das suas longas viagens e aterravam na sua tasca. Entravam pela tasca dentro, no meio das pessoas e começavam logo, apesar do cansaço da viagem, a construção da sua mansão de Primavera e Verão.

 

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Vejam como esta andorinha é linda

 

O Senhor Alves gostava tanto das andorinhas, devia ser como o Ventor e como eu, e não se importava nada que elas construíssem as suas mansões nas esquinas do tecto, que era bem alto. Mas o engraçado não era só as andorinhas construírem as suas casotas no meio das pessoas, era elas dormirem lá dentro quando à noite a tasca fechava a porta e de manhã ao romper do dia começavam a gritar pelo Sr. Alves para ele abrir a porta, pois precisavam de recomeçar o trabalho e quando mais tarde tinham os filhotes, precisavam de ir buscar comer para eles.

 

Era uma azáfama para elas e para o Senhor Alves que tinha de limpar tudo. Logo de manhã as andorinhas começavam a gritar: "Ó Alves, abre a porta, temos de sair que se faz tarde"! E à noite o Alves não gostava nada que elas estivessem sempre a pedir-lhe para apagar a luz do candeeiro a petróleo e para fechar a porta. Mas o Senhor Alves gostava muito delas e durante anos foi assim. Iam e vinham, geração após geração. Os filhos aprendiam com os pais e voltavam sempre. E todos os anos os clientes também se habituaram ao bulício das andorinhas e gostavam, até que um dia tudo acabou. O senhor Alves morreu, a tasca acabou, os filhos do Senhor Alves trataram de vida cada qual por seu lado e as andorinhas tiveram que ir arranjar outros sítios para continuarem as suas vidas.

 

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Agora, muitas habitam o Palácio de Queluz, o local onde o Ventor casou, há muitos anos, quando as suas ascendentes estavam já de abalada. Diz o Ventor que elas, as descendentes das gerações passadas ainda devem andar por aí. Eu acredito no Ventor porque ele estudou as migrações das andorinhas e fixou algo de muito provável. Diz o Ventor que as andorinhas voam entre a Europa e a África a Sul, bem lá para os confins da África. Elas têm de atravessar os desertos, como o Saará e muitas que partem daqui não chegam ao seu destino e as que chegam, quando tentam voltar cá, também não. Muitas morrem de sede e de cansaço ou são apanhadas por predadores!

 

Mas nesse estudo, diz o Ventor, que os especialistas chegaram a uma conclusão muito interessante. As andorinhas têm dois trilhos predominantes entre a Europa e a África e vice-versa! As andorinhas que escolhem Portugal vêm de Moçambique e as que escolhem a Inglaterra vêm da África do Sul. Segundo consta, elas seguiam os barcos que caminhavam entre esses países e através dos séculos ganharam hábitos. Esses hábitos ter-se-ão tornado para elas uma rotina de vida.

 

Mas agora, depois da minha história não acham que chegou a altura de não prejudicarem mais as andorinhas? As pessoas não gostam que as andorinhas façam os ninhos nos tectos das suas varandas, porque acham ser uma porcaria e trazem piolhos e tudo isso. Mas hoje, não há piolhos que resistam ao modernismo e com um pouco de vontade cabemos todos na varanda. As nossas varandas são fechadas, mas o Ventor diz que se as andorinhas quisessem fazer a sua mansão nas suas esquinas caberíamos todos e eu garanto-vos que também deixava! Protejam as andorinhas. Elas são tão lindas!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 23:25