Mas agora, depois de um sonho bonito, com os lobinhos, podem crer que, nem todos os sonhos do Ventor são lindos!

 

O Ventor, umas noites atrás, depois de sonhar esse belo sonho com os lobinhos naquelas suas Montanhas Lindas, teve um sonho horroroso!

 

Eu estava deitado ao lado do Ventor e ele permaneceu, durante algum tempo, num grande frenesim.

Eu ouvi o Ventor perguntar: "como te chamas"? A resposta foi: "sou o novo Guardião do Antar que me pediu para te ajudar a sair deste sarilho".

Depois não ouvi mais nada, mas o Ventor contou-me o que se passou. 

 

Disse-me o Ventor que Portugal vivia uma tormenta, enrolado numa guerra civil. "Esperemos que não"! Mas, na sequência das escaramuças, teve de fugir para as suas Montanhas Lindas. Disse-me que não era ao Ventor que queriam matar, mas outro seu amigo e, por isso, o Ventor prometeu-lhe que enquanto vivesse, ninguém o mataria, porque ele não deixaria!

 

Quando o Ventor chegou a Adrão, o lugar de Adrão e seus arredores estavam cercados por gadanheiros. Todos os gadanheiros tinham o manto da morte vestido e o que mais preocupou o Ventor foi aquele manto ser de um azul tipo mosqueteiros do Luis XIII. O Ventor olhava e estava perplexo, com aqueles senhores de capuz na cabeça e todos perfilados com as gadanhas como se fossem autênticas armas de guerra! O Ventor olhava aqueles rostos a ver se entre eles havia alguma caveira, mas não! Todos eram rapaziada perfilada para matar com a gadanha, mas eram tantos que o Ventor nem sabia como iria começar a sua defesa e planear um contra-ataque!

 

De repente, o Ventor virou-se para o seu protegido e disse-lhe: "estamos no meu mundo, e aqui não temo ninguém. Haja o que houver, não fujas. Faz de conta que estamos só os dois. Deixa-me traçar um Plano de Defesa".

Os gadanheiros estavam organizados em grupos de 20 e só tinham gadanhas como armas! O Ventor decidiu atacar e desmantelar o primeiro Grupo de 20 que se viam enrolados nos mantos e nem sabiam que fazer com as gadanhas! Entretanto, os outros grupos decidiram caminhar para o Ventor e cercá-lo. E, enquanto o Ventor ia lutando e atropelando uns e outros, de repente aparece um cavalo negro que disse ao Ventor e ao seu amigo para saltarem para o seu dorso e agarrarem-se bem pois a luta iria ser dura e aqueles gadanheiros eram mesmo assassinos.

 

 

Assim, montando o cavalo negro, foram desbaratando grupo após grupo e, ao chegaram ao último grupo que queria impedir o Ventor, o seu amigo e o cavalo negro de sairem de Adrão, eles começaram a tirar debaixo dos mantos terríveis metrelhadoras e um disse que iam fazer o Ventor, o seu amigo e o cavalo negro, numa peneira.

O primeiro que puxou pela metrelhadora levou um coice do cavalo negro e derrubou os outros todos, mas um levantou-se e fez fogo e o Ventor viu as balas a desviarem-se deles.

 

O cavalo negro cavalgava pelos ares, nos montes em frente de Arão e quando o Ventor olhou para a sua aldeia só via um exército azul de gadanheiros que nunca mais acabava e, no meio deles o seu fiel Antar, todo branquinho, a destruí-los à coiçada. O Ventor pediu ao cavalo negro para regressarem e ajudarem o Antar mas o cavalo negro disse ao Ventor que só obedecia ao Antar e a ordem que tinha era irem para Paris!

 

"Paris"? perguntou-lhe o Ventor. "Sim. Paris! Todos vos querem lá e só lá receberei nova ordem do Antar. Não tenhas medo pelo Antar, Ventor. Como sabes ele é indestrutível"!

Quando os gadanheiros ouviram a palavra Paris, aproveitaram logo para fugir ao Antar e, sorrateiramente, dirigirem-se para Paris.

 

Quando chegaram a Paris, o cavalo negro deu voltas à Torre Eifel e disse ao Ventor que já tinha novas ordens do Antar. Tinham de dirigir-se para Carnaxide e entrar na SIC onde o Ventor iria ler um discurso com o qual iria destruir todos os gadanheiros! Assim, enquanto os gadanheiros procuravam o Ventor em Paris, o cavalo negro pousava às portas da SIC onde o Antar os esperava.

 

Quando o Ventor desceu do dorso do cavalo negro, o Antar piscou o olho ao Ventor e o Ventor sorriu e iniciou uma corrida para ele ... mas aí terminou o sonho. Já não houve  discurso, não houve conversa com o Antar, não houve mais gadanheiros que se terão perdido lá por Paris .... o que houve foi o coração do  Ventor a pular dentro do peito e parecia que queria explodir!

E, o que houve, também, isso sim, foi a luta do Ventor com a caveira da gadanha, uma noite depois, mas agora já no real, quando a asfixia atacava a sua garganta! Será que o  Ventor continuará a destruir os gadanheiros com a ajuda do Antar? Eles andam por aí!

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


sinto-me: fino
música: let It Be, de The Beateles
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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 21:54