Neste mês de Agosto de 2010, no dia 10, 43 dias antes de fazer um ano, estive no Sítio do Quico.

 

Caminhei do Poulo da Cascalheira até às Fontes (com os olhos na Naia, no Muranho, na Derrilheira e o Sentido na Pedrada) e, ao chegar às Fontes, senti-me sempre acompanhado pela presença de algo sobrenatural pois, de facto, nada de visível que não fossem uma égua garrana e seu filhote, um pouco acima do local onde o meu Quico está enterrado. Lá mais ao fundo,  ouvia um chocalho que, algumas vezes, me dizia andar por ali uma ou mais vacas mas, depois de tanto observar, nunca consegui ver nada. Estaria, certamente, por ali, uma galanta deitada entre os fetos, sacudindo a cabeça para espantar as moscas mas, resguardada da minha visão.

 

Olhei aquela bela nascente que não via desde 22 se Setembro de 2009 e, para além da égua e filhote, em cima, mais o chocalhar de uma qualquer galanta, lá para baixo, enquanto observava o local onde o meu Quico foi enterrado, achei-me sempre acompanhado sem ver ninguém e, certamente, ninguém estaria por ali!

 

Olhei a fonte onde, dias depois de enterrar o Quico, sonhei com as duas belas Ninfas vestidas de negro junto à fonte. Observava a nascente e os sítios exactos onde as Ninfas me apareceram em sonhos e, cheguei a querer que, tal como no sonho, me aparecessem na realidade. Desviei os fetos que faziam as vezes dos fetos do ano passado e lá estavam as pedras (não muito grandes) com que rematei a campinha do Quico. Desde a Cascalheira que ia em polvorosa, pois não tinha a certeza que os javalis que por ali andarão, não tivessem violado aquele lindo sítio do Quico. Ao deparar-me com o local e a alegria de nada ter mexido na campinha do meu Quico, apoderou-se de mim uma alegria enorme e fiquei com a sensação de não estar só. Cheguei-me a convencer que a minha gente ia ao meu encontro! Mas, olhei rumo à Cascalheira e ninguém!

 

 

O Sítio do Quico

 

A Dona do Quico não podia caminhar aquela distância e, achei bem não a levar lá, pois eu sabia que o carro chegaria lá com muita facilidade, mas tive receio de haver problemas pelo caminho e, até, encontrar o local foçado pelos javalis. O carro não era meu e pensei que, se tudo me correr bem, voltarei lá com o meu carro e levarei a Dona do Quico para observar, sem ser por fotos, o local onde, forças para além do que conhecemos, guardam o nosso peludinho. As mesmas forças que, durante aquele pouco tempo da minha presença, me colocaram em pele de galinha!

Pedi, baixinho, às Ninfas que me aparecessem, mas como eu já sabia, o Senhor da Esfera não lhes permitiu. Isso só é possível em sonhos.

 

Vim contente por encontrar tudo direitinho; as pedras, os fetos e nem uma unhada no solo onde ele se encontra. Ele está num dos meus sítios de sonhos e, se não fosse ali, seria no Muranho. Mas foi por ali que eu comecei a alongar as minhas caminhadas, iniciando as grandes estucadas dos grandes espaços, entre Adrão e Paradela e, se outras águas me dão ânimo ao pensar nelas, as fontes têm primazia. Era ali que eu bebia as minhas primeiras águas dos montes, com o meu pai e a minha mãe, nessas belas caminhadas entre os meus dois berços.

 

Foi por ali, na companhia do ti Bento Ribeiro, do ti João Perricho, dos meus amigos da Assureira, como o João, o Manel, o seu pai e muitos outros que por ali caminharam comigo, eu matava sedes calorentas e hoje, mato as sedes da saudade. Esse era, com toda a certeza, no meu espírito, o melhor lugar para o meu Quico.

 

  



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:49