Claro que vocês não se recordam da Izabelinha, mas eu lembro-vos.

 

Para já e antes que me esqueça, só para recordar alguns interessados, que sei que me seguem, que escrevi mais uma página do Ventor em África. Chama-se Rumo a Sul. Uma brincadeira que eu aproveito das histórias que o Ventor me conta.

 

A Isabelinha era uma galinha d'água que conheceu o Ventor e que me escreveu a dizer-me mal da vida dela e dos seus como podem ver aqui.

 

Agora imaginem só, que a neta da Isabelinha quis vir para junto de nós. Eu vejo-a aqui do meu miradouro.

Algum tempo atrás, o Ventor tirava fotos a umas libelinhas e dois guardas do jardim vieram ter com ele para lhe dizer que, mais abaixo, havia uma galinha d'água com três filhotes. Se tiver paciência e esperar um bocadinho, talvez os consiga ver nas suas deslocações. Assim foi!

 

 

Um dos filhotes da neta da Isabelinha

 

Ao Ventor, tempo e paciência é coisa que não falta e lá foi! Fotografou a galinha e os seus três filhotes, mas sempre um de cada vez.

Então os senhores disseram-lhe que os jardineiros tinham andado a limpar a ribeira e que deram, já no fim, com aquela família, deixando apenas uns pequenos tufos para lhe servirem de abrigo, pois quando se aperceberam da sua existência, já estava quase tudo limpo. Depois os bichos desapareceram e tememos que fossem todos mortos pelos gatos ou cães ou até pessoas de má índole coisa que, infelizmente, não falta.

 

Quando, num outro dia, o Ventor procurava, cuidadosamente, a sobrevivência de todos ou algum desses nossos novos vizinhos, não lhe parecendo que algum tenha resistido, colocou os braços sobre o gradeamento e estava a pensar como é que uma galinha d'água selvagem veio até nós, com o objectivo de criar a sua prole! Um sítio horroroso para eles. Já terá sido bom, já!

 

 

A neta da Izabelinha, estava com receio do Ventor e de outro amigo que lhe levou pão

 

De repente, o Ventor olhou para um buraco e, no seu interior escuro, pareceu-lhe ver um pedacinho de cor avermelhada ou alaranjada. Algum tempo depois, não tinha dúvidas que o que estava a pensr estava correto. A galinha d'água estava lá escondida. Um senhor chegou junto do Ventor e disse-lhe. Aposto que está aqui pelos mesmos motivos que eu, mas já a vai ver. Mandou um pedaço de pão pelo ar que foi cair na água em frente daquele buraco. A galinha, um pouco exitante, lá se apercebeu que aqueles dois não lhe faziam mal, saíu para fora do buraco dirigindo-se para o pão. Ao chegar à água, fez uma chamadela e, do meio de um tufo saíu uma das suas crias que estava escondida, agachadinha no meio das ervas e ninguém a conseguia ver.

 

 

Ela resolve sair do buraco e chamar o filhote para lhe dar de comer

 

Aquela cria, um pouco atarantada, lá acompanhou a mãe e seguiram direitas ao pão que comeram sofregamente. Assim o Ventor ficou a saber que a neta da Isabelinha veio para junto de nós porque descobriu a direcção da avó para mim com um recado: «minha querida netinha, se um dia chegares a ser grande, encontrares um namorado e precisares de uma casinha para vocês, procura o Ventor e o Quico e foje para junto deles".

 

 

A fome era negra e tinham de correr o risco. Comer e sobreviver, ou morrer lutando

 

Por isso a nossa amiga anda aqui. Espero que seja por muito tempo!

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 21:02