Os dias 4 de Outubro, são sempre o dia de S. Francisco. É também o dia do melhor gato do mundo, o dia do gato Francisco ou gato Quico, o belíssimo gato do Ventor.

Para mim, o Quico, continua a caminhar aqui, a meu lado e ao lado dos seus amigos!

Só que agora, ele não observa os nossos amigos, comigo. Agora temos dois novos amigos e ele não sabe. Uma gatinha parda e o seu filhote, o Pilantras. O Pilantras já não foge de mim e, tal como a sua mãe, já aprendeu a vir pedir-nos o comer e eles não fogem de nós, de  mim, nem da dona do Quico. Os amigos do Aristófanes continuam por aí, mas tal como o Quico, correm muitos riscos, eles também continuam a correr os riscos que o Quico correu.

Estamos num mundo onde os gatos e os cães, correm riscos todos os dias, mas há sempre pessoas que continuam, também elas, a arriscar-se por eles.

 

 

Um interior do Convento de Santa Cruz ou Convento dos Capuchos, na serra de Sintra

 

Este ano, eu voltei a estar no sítio do Quico. Sozinho! Estive a observar as águas a subir dos confins da terra, pelo interior da rocha. Estive a olhar a sombrinha onde o Quico esteve pela última vez e o trajecto que percorri com ele de lá, da sombra debaixo da árvore para entrar nas trevas da terra, não nas trevas do céu. O seu corpo felpudo, entrou nas trevas, mas a sua alma continua sempre a meu lado. Só estivemos a observar a água, eu e, de uma forma muito especial, o Quico e as Ninfas das fontes. Elas estão sempre lá comigo. Primeiro eu e elas, agora, eu, Elas e o Quico.

 

Eu sei que faz bem continuarmos a conversar, eu e o Quico e nada melhor que neste dia 4 de Outubro - o Dia de S. Francisco - também, para mim, o dia do meu Quico!

 

 

A lenha pronta para a lareira, neste espaço interior

 

S. Francisco era o amigo dos animais. O amigo de todos, pessoas e animais. Se calhar, foi ele que trouxe, até junto de nós, o Quico! A vida é cheia de mistérios! Eu relembro como, durante algum tempo, atirava aos amigos do Quico com castanhas ou nozes para o deixarem só, a tentar comer os petisquinhos que eu lhe mandava para cima dos telhados. Porém, nem sempre resultava e penso que só quando o S. Francisco intervinha é que ele se safava. Quando ele conseguia comer alguma coisa, eu ficava todo contente.

 

O S. Francisco continua a olhar por ele, pelos seus amigos e, até por mim!

 

 

Neste espaço, podemos ver as trempas naturais feitas na pedra

 

Por isso, eu vou continuar a falar Dele, para o Quico e para os seus amigos. O S. Francisco era o amigo de todos os animais; ele é, continuará a ser, creio eu, o amigo de todos os animais. Não foi por acaso que o meu gato se veio a chamar Francisco, o nosso Quico. Por isso, eu vou falar aqui, do nosso amigo S. Francisco de Assis.

Eu sei que o meu Quico já sabe a história toda. Ele sabe que S. Francisco é desta cidade, nasceu nesta cidade - Assis.

Ele achou por bem que todos, cá na Terra, deviam levar uma vida, o mais próximo possível do Filho do Senhor da Esfera, o Nosso amigo de Belém, de Nazaré, de Jerusalém, do mundo.

 

 

Outro espaço interior onde existe a água nesses recipientes a que chamamos bihas

 

S. Francisco, achou que os animais eram seres que merecem a nossa protecção e não é por acaso que existem por aí muitos adjuntos de S. Francisco que, apesar de tudo, correm riscos a tentar salvar os nossos amigos. Correm o risco de serem insultados por pessoas sem sensibilidade, egoístas para com os seus concidadãos e, mais ainda, para com todos os amigos de S. Francisco. Admiro as pessoas que, podendo ficar sossegadas na sua casa a verem as novelas ou ouvir desbocados a dizerem asneiras em nome da política, preferem ir dar de comer a animais esfomeados que, na sua linguagem, pedem a Deus que essas almas caridosas não se esqueçam deles. Ainda ontem, enquanto fazia a minha caminhada, ao cair da noite, observei, duas senhoras que se aproximavam e uma delas disse um nome. Ouvi um miar de gatinho novo, reduzi a passada, voltei-me e ele seguia ao meu encontro, observando-me mas, seguiu viagem e foi rebolar-se todo junto da senhora que o chamara. Ele terá dito a S. Francisco que as suas protectoras não os deixaram esquecidos e, voltando a olhar-me, disse-me o seguinte: "diz ao mundo Ventor, que S. Francisco e a boa gente que aprendeu com ele, nunca se esquecem de nós"! Eu sei que sim, mas também sei que os amigos de S. Francisco, precisam de mais gente a caminhar a seu lado.

 

 

Aqui temos o Altar ou lugar onde é feita a devoção religiosa

 

S. Francisco preocupou-se com todos, os homens e os animais e, por isso deu origem a uma Ordem a que vieram a chamar-lhe - Ordem dos Frades Menores. Ele achou que todos deviam viver na pobreza, tal como Cristo viveu! Todos deviam ter uma vida sóbria com o mínimo das coisas necessárias para suportá-la! Mas este mundo espartilha-se por ricos e pobres. Muito ricos, ricos e abastados, de um lado, miseráveis, muito pobres e pobres do outro. Ele é o protector dos animais e do ambiente. 

 

 

A beleza exterior ao Convento onde existe uma simbiose natural, entre a Natureza e o trabalho do homem. Em volta destes telhados, sobre as árvores e, saltitando entre os telhados e as árvores, serão ouvidas orquestras desses seres lindos que encantarão seus companheiros de caminhada - os homens dos capuchos

 

Não é por acaso que, Filipe II de Espanha, 1º Filipe de Portugal, terá dito o seguinte, em 1581, numa visita ao Convento de Santa Cruz ou dos Capuchos, na serra de Sintra: "De todos os meus reinos, há dois lugares que muito estimo, o Escorial, por ser tão rico e o Convento de Santa Cruz ou dos Capuchos, na serra de Sintra, por ser tão pobre"!

 

 

Os seres belos que a Natureza, servida pela mão de Deus, coloca ao serviço dos homens - os homens dos Capuchos - serão inconfundíveis

 

É desse convento que eu vou falar para os nossos amigos - do Convento de Santa Cruz ou Convento dos Capuchos, na serra de Sintra. Vou falar mas por meio de fotos. As fotos serão as melhores palavras. Afinal, também não sei nada sobre essas salas dos Capuchos mas, as imagens, em baixo, dirão bem alto, a cada um, o que eles possam pensar do seu significado. Vou colocar aqui as fotos em três tranches, no Shutterfly:

O Exterior do Convento dos Capuchos;

O interior do Convento dos Capuchos;

Imagens da Flora, em redor do Convento dos Capuchos.

 

Estas fotos foram tiradas no dia seguinte a ter enterrado o meu Quico nas minhas Montanhas Lindas, na véspera, na serra de Soajo, apenas eu e aquele peluche inerte que tínhamos sido tão felizes juntos, durante 12 anos e nos separamos para sempre, nesse dia. No dia seguinte, à mesma hora, caminhava eu, ao lado dos seus amigos, na serra de Sintra, nos anos do Tomás. Tive um dia quase todo para conversar com os capuchos, daquele reino natural de pobreza e, por certo, de felicidade.

 

 

A serra de Sintra, seria, então, um elemento natural, quase virgem, onde os homens, os animais e a restante Natureza que já então impregnava toda a serra, viveriam uma vida plena 

 

Diz a lenda, que D. João de Castro, 4º Vice-Rei da Índia, numa caçada na serra de Sintra, perseguiu um veado até ficar com os "bofes" de fora. Encostou-se, muito cansado, debaixo de uma rocha, adormeceu e sonhou! No sonho foi-lhe revelado que deveria ser erigido por ali, naquele local, um templo cristão. Como ele faleceu, foi seu filho, a seu pedido que acabou por erigir esse templo - o Convento de Santa Cruz, conhecido como Convento dos Capuchos porque vieram da Arrábida, os primeiros frades capuchinhos, os tais da Ordem Menor de S. Francisco, a ocupar esse convento.

 

Espero que, onde estejas, Quico, continues a saber destas coisas. Talvez nos voltemos a encontrar no Portal do Egipto. Isso só dependerá do Senhor da Esfera!

 

 
Podemos verificar, pelas imagens que, toda a beleza dos exteriores do Convento de Santa Cruz ou Convento dos Capuchos, está espalhada na Natureza envolvente

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 07:22