Este era o Rafinho 2 - o Rafinho da Joana, o meu amigo Rafinho. Ela deu-lhe o nome que o nosso velho amigo Rafinho preto tinha e os dois foram uns verdadeiros amigos.

Este apenas caminhou a meu lado, de vez em quando, em tempos de ausência dos seus donos. A primeira vez que chegou cá, foi logo, "sentado" na sua inocência, ter com o Quico, perguntar-lhe se podiam ser amigos. Virou-se para o Quico e até parecia perguntar-lhe: "se não fores meu amigo, o Ventor zanga-se contigo"! Mas o Quico, como dizia o gajo que o viu cravar as garras no braço do veterinário, sem lhe dar um arranhão, apesar daquela imagem ameaçadora, que mais pareciam as garras de um puma. "Não pode ser. Mas este animal é um gato"? «Não, é mesmo um gato, se fosse outro e com este tamanhão e força, deixava-me o braço sem pele e com sulcos de arado» - disse o veterinário!

 

O veterinário tentou raspar-lhe a cárie dos dentes e ele ficou quieto, enquanto não doeu mas, quando doeu, disse-lhe: "não abuses. Sou teu amigo mas não permitirei que me estragues as gengivas"! Foi a força aplicada nas garras e controlo para não rasgar que foi fenomenal e o outro foi levado a pensar que o meu Quico não era um gato. Era qualquer coisa para além de gato! E era! Do modo como ele defendia todos os bichos, a começar pelos dois Rafinhos, ele era muito mais que um gato! 

 

 

O Rafinho, Branco

Ele era um belo amiguinho, do Quico, do Ventor, ... de todos. Agora que tropecei nesta foto dele (tenho por aqui muitas), lembrei-me que, se o Quico fosse vivo e estivesse aqui comigo, gostaria de ver aqui este nosso amigo Rafinho e, olhando a sua foto, recordaria como ele tinha sido parte de todas as suas arrelias, das nossas arrelias

 

Mas este Rafinho, Branco, iria ser como o preto se ficasse aqui comigo. No entanto, não deixava de ser possível, numa hora aziaga, o Quico despedaça-lo todo só com uma patada. Por isso, o melhor seria ir viver a sua vida para o Lugar do Sol, com as chinchilas. Pareciam todos uma família! Já fui ao Lugar do Sol, sem o Rafinho e, a falta dele, como a falta do primeiro Gaspar, foi uma desilusão, nos dois casos. O Gaspar, quando passou a ter uma vida de Lorde, quando passou a ser um senhor cão, porque até ali, não era, desapareceu do nosso convívio por atropelamento, devido ao amor que ganhou pelos seus novos donos. O veterinário não foi capaz de o safar.

O Rafinho adoeceu e o veterinário também não foi capaz de o safar. Assim desde 2009, o Ventor já perdeu lindíssimos amigos. Perdeu o Quico, a Tara, o Gaspar, o Matias (o meu amigo Gaiteiro), o Zé, a Magda e agora o nosso lindo Rafinho. Tenho perdido os meus amigos todos. Já antes do Quico perdemos a inesquecível Cuca e outros.

 

Acredito, tal como os miúdos que conheceram e conviveram com o Quico e com o Rafinho, que eles e os seus amigos já estarão todos juntos, noutro mundo paralelo ao nosso, noutra esfera iluminada por outras estrelinhas.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 19:15