Há dias que caminho, na medida do possível, ao lado da família Tobias.

No dia 5 de Maio deste ano de 2011, o meu amigo Tobias apresentou-me os seus filhotes. Dois filhotes que resistiram a tudo! Só uma família com a têmpera do meu amigo Tobias seria capaz de levar a bom porto, nesta primavera de muitas dificuldades, a criação dos seus filhotes. Pelo tamanho deles, resistiram a duas grandes trovoadas e, também, àquela grande saraivada que ia esmagando a zona da Amadora e não só.

 

 

O primeiro lindo filhote do Tobias que me foi apresentado no dia 5 de Maio

 

Mas o Tobias contradisse-me, sempre, que eu lhe dizia que ele fez o seu ninho no pior local de que dispunha. Na verdade, o sítio para fazer o ninho era o melhor, seria o pior, apenas, quando os seus filhotes saíssem do ninho. Mesmo por baixo do ninho, há passeio e entre o passeio e o outro lado há um grande canteiro com folhagem de ervas e flores para os esconder de predadores, especialmente, o bicho homem. Sempre que eu ia à janela, olhava o Tobias e a sua companheira a carrearem minhocas para os filhotes. Eles andavam com a zona do papo sujo e eu fiquei todo contente porque isso era o selo da verdade de que os Tobias tinham filhotes.

Eu sabia onde era o ninho mas era impossível vê-lo e muito menos, os ovos e os filhotes.

 

 

O Tobias observando os seus filhotes e o Ventor

 

No dia 5 de Maio vi o Tobias encostar-se a uma moita de flores e entregar as minhocas, que levava no bico, a um filhote e virar-se para mim com o bico vazio. Ao mesmo tempo, vi outro filhote descer da árvore à minha frente e aterrar junto do pai. Disse-lhe: "Tobias, vou sair e fotografar os teus filhotes"! No choupo ele deu-me a resposta. Não te esqueças que há muita gente que não gosta de nós. Tens de fazer isso com algum recato. E foi o que eu fiz! Disparei a máquina contra o Tobias, um filhote a madame e outro filhote, sempre sem procurar dar nas vistas. Os filhotes, esses, não acharam piada nenhuma à minha brincadeira e fugiram para sítios opostos. Um, cansado do seu grande voo, acabou por se deixar fotografar até sentir que já recuperara a força para mais um voo, atravessando o rio para o lado de lá, voltando à esquerda e dirigindo-se para quase o mesmo lado de onde tinha saído. Deixei-o lá e fui fotografar o irmão.

 

 

O segundo filhote que o Tobias me apresentou

 

Mas sempre que me aproximava dos filhotes do Tobias ele colocava-se a meu lado. Sempre a controlar-nos, a mim e aos filhotes. Eu disparava a máquina silenciosa e o Tobias cantava. Todos os dias, ou da janela ou no meio deles, eu vejo o Tobias apanhar comer para distribuir pelos seus filhotes e vejo eles ou por vontade do pai, ou por vontade deles, mudarem sempre de local. Já não se deixam cair em esparrelas e hoje, durante uma hora encontrei-os em seis sítios diferentes, uma dessas vezes esvoaçando sobre os salgueiros do rio e, sempre que me virava para qualquer lado, tinha sempre o Tobias junto de mim. Mais engraçado foi quando vi um dos filhotes do Tobias no diálogo com uma rola turca que pousou sobre o salgueiro, junto dele. A folhagem é que é muita e não os consegui fotografar quase nas minhas barbas.

 

 

O segundo filhote do Tobias está escondido por baixo dele no meio dos matos de flores. Aqui o Tobias observa uma pesoa que vem por trás mas não passa junto de nós e ele permanece a meu lado a cerca de 3 metros. Ele já sabe que eu não faço mal aos seus filhotes.

 

O maior problema para os jovens Tobias, seriam os gatos e as ratazanas mas, os gatos andam lá para cima e as ratazanas, segundo me informaram, foram quase exterminadas por uma espécie de garça que tem andado por aqui e até dormem por cá. No dia 5 de Maio fotografei oito garças de três espécies e entre elas, estariam as exterminadoras dos ratos. Ontem à noite, enquanto falava ao telefone com o meu amigo Alex, o Tobias escutou tudo! Subia e descia os choupos mesmo à minha frente, só descia para apanhar algo e levar aos filhotes e, depois da remessa entregue, voltava ao choupo e sempre a dizer qualquer coisa. Ele acha que eu nunca aprenderei como deve ser o melrês, a língua dos melros mas, não desiste de tentar fazer com que eu a aprenda como deve ser.

 

É uma beleza e uma honra para mim, ter companheiros destes a caminhar ao meu lado e sentir a amizade real do meu amigo Tobias.

 

 

Nas minhas caminhadas com o Tobias, afasto-me para apreciar os outros penudos, como as rolas a alimentarem os seus filhotes

 

Mas, enquanto tenho os Tobias como companheiros da minha caminhada, outros se vão juntando a nós, como as rolas turcas que, tal como os Tobias se esfalfam para alimentarem os seus filhotes e, quanto à dispensa, com bem maior dificuldade. Como os pombos bravos que também andam por aqui ou estabilizados tentando criar ou de passagem 

 

 

Também observo as andorinhas na sua azáfama de transporte de materiais para a construção das suas vivendas

 

Também, as andorinhas fazem por aqui, não só as suas caminhadas mas, também, suas estâncias de abastecimento de produtos para a construção de casas e aldeias.  

 

 

 Elas ralham comigo para as deixar trabalhar. Fazem-me lembrar alguém de outros tempo: "deixa-nos trbalhar, deixa-nos trabalhar, Ventor"!

 

As andorinhas, tal como os Tobias, além dos patos, das garças, do meu amigo Pingas, das galinhas d'água, das rolas, dos pombos e dos gaios, como outros penudos, continuam a ser verdadeiros companheiros das caminhadas do Ventor. 

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Ventor às 00:41editado por Quico, Ventor e Pilantras às 01:08