... no Lugar do Sol.

Não está o Quico, mas estou eu, o Ventor e, ontem fui dar uma caminhada entre amigos.

Amigos que me abraçaram, me beijaram (lambuzáram-me todo), correram atrás de mim, quase me despedaçaram a máquina que já está como eu, mas só caiu na relva. Sujaram-me todo com as patas molhadas, pois a chuva, ou a sua ameaça, ou a escuridão, foram companheiras dessa nossa bela caminhada.

Todos correram entre as flores a mostrarem-mas, apenas o meu amigo Gaspar que, segundo o seu Vet, terá uma tendinite, me acompanhou com calma. Ele é um Senhor cão, um senhor perdigueiro português que adora a sua casa e os seus amigos e nunca esquece o Ventor.

 

 

O Gastão e o Messi os dois rebentos do Gaspar e da Maria, que tiveram a sorte e a felicidade de ficarem com os papás babados e o Stick, no Lugar do Sol

 

 

Os meus amigos adoram caminhar comigo entre as flores e, até já o Gastão e o Messi, em cima, ficam contentes pois eles sabem que andaram ao colo do Ventor

 

Mostrou-me as flores do seu jardim, dos seus companheiros e dos seus donos. Caminhou bastante com a sua pata no ar mas, nunca desistiu! Agora, para sua sorte, além da Maria e do Stick, tem a acompanhá-lo o Gastão e o Messi, dois dos seus filhotes, novos amigos do Ventor e novos defensores da sua casa. Eles são autênticas maravilhas e, socialmente, melhores do que muitos dos homens que o Ventor vê nas TV's, abrirem as goelas, tal como eles quando ladram e que tanto falam no Estado Social. Esses, teriam muito a aprender com o Gaspar, a sua família e o seu amigo Stick.

 

 

 Até, já nas margens do caminho, as flores ou os seus sustentáculos se apressam a dar-me as boas-vindas

 

Mas isto não passou de uma caminhada. Mais uma!

Quase me apeteceu dar uma batida no galo do meu amigo Carlos porque lhe tirei umas 60 fotos e ele nunca tirou os olhos de mim. Creio que só em duas ele olhou para outros lados! Por isso, correr pelo campo abaixo, obrigá-lo a entrar no galinheiro e obrigá-lo a baixar a crista, foi o que me apeteceu mas não o fiz porque ele não passava de um galo ciumento e, pelos vistos parvo!

 

 

O galo do vizinho, nunca tirou os olhos do Ventor, nem quando tentava procurar o tritão que dá as boas vindas à minha chegada

 

Disse-me que a minha sorte era ele não ser como o pica-no-chão que me atacou duas vezes, depois atacou a dona e acabou por dar origem a um arrozinho de fricassé. E que, era apenas por isso que ele não me dava umas bicadas. Depois, quando me viu fazer a tentativa de entrar dentro do seu reduto florido, deu às de vila diogo e rumou a bom porto. Lembrei-me do Gil Vicente e do seu "quem tem farelos"! Afinal era o galo do meu novo amigo Carlos que, apressadamente, disse: "quem tem farelos sou eu e é para lá que me vou despachar".

 

 

A roda, o símbolo das velhas e das modernas civilizações. Ela presta guarda de honra a nossos antepassados. Foi sobre rodas que todos chegaram aqui. Por isso, penso eu, uma de madeira e outra de ferro, ambas, o cerne da apologia a todos os que até aqui caminharam. Se todos vermos bem, a roda, é e será, talvez a invenção mais útil da humanidade. Terá sido, dizem, inventada nos lugares por onde caminhou o meu amigo Nemrod, mas eu acho que é um instrumento que qualquer um podia inventar. Maiores dificuldades terão sido, onde e como aplicá-la! Aqui, por exemplo, esta de ferro, só serve mesmo para uma homenagem à sua presença no mundo, enquanto a outra, de madeira, em baixo, ainda deixou um espaço, no seu eixo, para o meu amigo pardal construir a sua casa 

 

Então fiquei na dúvida se ele julgava que lhe ia aos farelos ou se julgava que eu lhe levaria uma galinha para o tal arroz de fricassé.

Tudo acabou em bem e não houve batalha! Para além de tudo isso, estávamos a viver mais um sábado de aleluia e devíamos evitar qualquer escaramuça! Foi aí que regressei para os meus amigos caninos e o meu amigo Gil que, ao jantar, teve a amabilidade de se querer deitar no colo do Ventor.

 

 

 Também vou jantar Ventor! E lá saltou o meu amigo Gil para os seus tachos

 

 

Lá estava o pardal, sobre o telhado, pronto a mostrar-me a sua casa, por baixo, situada no eixo desta roda

 

Também o meu amigo pardal me mostrou a sua nova casa reconstruída sobre as ruínas da casa que construiu o ano passado e pediu-me para tirar algumas fotos aos seus ovos e aos seus meninos quando os tiver. E, foi assim que ficou combinado. Entretanto fez-se escuro, jantamos e sem delongas, rumamos a casa na esperança de novos encontros com todos eles, os cães, o Rafinho, as chinchilas, o Gil e, vamos ver como vai ser com os gansos e o galo do vizinho que não querem ninguém a bisbilhotar nos seus arredores.  



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 21:22