... mais uma vez.

 

No Lugar do Sol os amigos pequeninos continuam a crescer imenso.

 

 

Depois de cansados da brincadeira com o Ventor, recolheram aos seus aposentos para serenar um pouco

 

Os animais são pérolas ou bem melhor que pérolas na vida das pessoas. Para mim são muito mais que isso e, podemos apercebermos-nos bem disso mesmo sem eles possuírem o dom da palavra. A sua linguagem é expressiva e exprime-se através dos olhos e dos movimentos e, é nos cães que eu noto que a sua expressividade é perfeita.

 

 

A Maria, como boa mãe que é, vai cuidar dos seus filhotes

 

Dos quatro cachorrinhos que são criados no Lugar do Sol, três já têm destino. Os seus donos só os oferecem a pessoas da sua confiança e apenas o Gastão irá ficar na companhia dos pais e dos donos, mas uma cachorrinha já teve uma triste experiência de vida.

Foi oferecida a alguém da confiança dos seus donos, mas teve azar!

Aqueles que passariam a ser os seus novos donos têm um gato e o gato mandou-se à cachorrinha e, provavelmente, se não fosse a sua nova dona teria sido transformada num trapo de desperdício. O gato considera-se senhor daquele universo e rejeita intromissões de cães por muito bons companheiros que eles possam vir a ser.

 

 

O Gaspar, queria saber porque a máquina fazia barulho, pois teria de explicar aos filhos o porquê das coisas

 

Assim, a sua nova Dona, informou a velha Dona que, por causa do gato, não ia poder ficar com ela mas, tinha quem a queria. Porém, a velha Dona, baseada no princípio de que só ofereceria os seus cachorrinhos a pessoas da sua confiança, foi buscá-la e, segundo me disse, quando se apanhou entre a sua família só um filme mostraria como os animais sofrem. A alegria dela, o olhar, as expressões, os movimentos ...

Ela não falou mas as suas expressões disseram tudo! Se falasse, teria dito o que disse ao Ventor: "estava no céu, aqui no Lugar do Sol mas, por lapso, mandaram-me para o Inferno e, agora, com a ajuda do Senhor da Esfera, voltei para o céu".

 

 

O Gastão estava admirado com o barulho dos clicks

 

Ela ainda é muito novinha mas, acredito que ficará sempre com aquele trauma de que os gatos continuam a ser inimigos figadais dos cães. Mas ela ainda não sabe muitas coisas. Não sabe que gatos como o Quico que ela não conheceu e como o nosso amigo Gil que ela conhece, não haverão muitos. Serão poucos os que deixam entrar nos seus domínios uma cachorrinha indefesa.

 

 

O Gaspar quer explicar e pede para chamarem os outros

 

Quando no sábado passado chegamos ao Lugar do Sol, foram os abraços, as lambuzadelas, o espanejar de rabos, as latidelas, as correrias endiabradas, os momentos de alegria. O Gaspar, a Maria, o Stick, o Gil, ficam doidos com as visitas e os pequeninos já começam a partilhar as suas alegrias e a perceber que, na sua vida, terão a companhia de amigos e de inimigos. Tirei-lhe fotos, muitas fotos, com duas máquinas, uma em modo silencioso e outra com o célebre barulho "click, click" e tive sempre a companhia do Gastão que adorava o som do click. Quando usava a máquina do silêncio ele não se chegava, brincava com os outros e quando usava a máquina barulhenta, lá vinha ele em correria.

Se eu avançava e ele ficava para trás, corria e puxava-me as calças para eu ser mais moderado. Se eu tentava correr ele fazia uma grande cavalgada com aquelas grandes orelhas a espanejar e agarrava-me logo as calças para me travar.

Se eu ficasse com um deles, desde a primeira vez que os vi, seria o Gastão.

 

 

O Gastão está muito admirado com um dia cheio de cansaço

 

 

 O Gil diz que a máquina também é boa para ele brincar 

 

A Dona do Gastão vai ficar com ele no Lugar do Sol e, quanto a mim, vai ficar a chorar pelos outros.

Mas a vida das pessoas e dos animais é constituída por alegrias e tristezas, por jogos e por guerras e, quer nos jogos, quer nas guerras, só temos vitórias ou derrotas. Mesmo nos empates, acabamos por reconhecer a existência de vitórias e de derrotas. Para uns, o empate foi vitória, para outros o empate foi derrota e nesta vida de vitórias, de empates e de derrotas, acredito que todos vamos ficar tristes à medida que os meninos que hoje caminham felizes pelo Lugar do Sol, caminharão amanhã nos trilhos da tristeza que o mundo lhes terá reservada.

 

 

Vai depressa chamar os outros que os dias já são mais curtos. Quero-vos contar histórias do Ventor

 

 

Ventor, vai buscar um colchão e deita-te aqui a contar mais histórias

 

Recordo-me daqueles que, frequentemente, vão afirmando que, o Senhor da Esfera, ou os homens, a sociedade, de um modo geral, não lhes permitiram brincar com os seus irmãos. Assim homens e animais, todos nós, continuamos sujeitos a isso neste mundo cheio de injustiças e de esbirros.

 

 

Que se lixem as histórias, nós queremos é brincar, enquanto nos deixarem



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 00:41