Há amigos e há muitos amiguinhos. Estes são aqueles que sempre foram amiguinhos do Quico e também do Ventor.

Já conheço esta perdiz há muito tempo; esta e o par dela. É um casalinho de perdizes que vive com o credo na boca, como diziam, noutros tempos, as minhas gentes.

De vez em quando, sempre que se me proporciona, faço umas caminhadas pelos arrabaldes do seu pequeno território.

 

 

Uma perdiz, mas também uma belíssima companheira de caminhadas do Ventor

 

Elas estão habituadas a fugir de todas as pesssoas, dos cães, dos gatos e sei lá do quê mais! Eu passo quase despercebido, não só para não chamar a atenção delas mas também dos seus inimigos. Elas comigo safam-se bem e até cantam junto de mim! Nesse caso eu dirijo-me para o local oposto e vou-me entretendo com outros bichos e também com as flores. Nessa foto até me deu a impressão que a perdiz subiu a pedra para observar os perigos envolventes e para se certificar se era eu que já estão fartas de me ver e já se terão apercebido que, deste lado, não correm qualquer perigo.

 

 

Este observa-me no local oposto e saberá quando se meter dentro do buraco e esse momento será quando correr perigo. Comigo já sabe que não corre perigo e deixa-se ficar

 

O que se passa com as duas perdizes, passa-se com estes coelhos. Eles têm um buraco por baixo do passeio que termina ali e fogem todos para lá. Eu ainda só vi três juntos, mas acredito que haverão por lá mais uns quantos.

 

 

 Este é um dos dois que me observaram durante algum tempo e eles confiam em mim porque saem fora para comer e sabem que eu não me aproximo para que se sintam em segurança

 

Por vezes ficam espantados a observar o meu carro e sabem bem que eu estou lá dentro. Mas se eu saio do carro e bato a porta e o fecho, assustam-e. Entretanto eu começo a caminhar para um dos lados ou ao contrário e eles deixam de fugir e ficam a observar-me. Eles já sabem que o Ventor não faz mal aos amigos e menos ainda a todos aqueles que foram e serão sempre os amiguinhos do Quico. 

 

 

A flor rosa da malva 

 

Esta flor da malva, pregou-me uma partida. Enquanto eu procurava as perdizes, escondido para as fotografar de mais perto, baixei-me para lhe tirar uma foto. Por cima da minha cabeça estava uma placa de sinalização que me informava que ali havia dois sentidos. Aldrabões! A estrada, naquilo que seria o segundo sentido, tinha terminado, já há anos. Mas esta malta é anã no corpo e na mente, em vez de sinalizarem para gente graúda, sinalizam para anões, em contraponto com a grandeza da estupidez que transportam na cabeça.

A verdade é que dei mais um passo para ficar em melhor posição e uma dor violenta na coluna lombar, obrigou-me a tentar endireitar-me o melhor que podia e zás! Uma belíssima cabeçada de raspão na esquina da placa e esguichou sangue que parecia um fontanário vermelho, saído de um corte com 2-3 cm, no couro cabeludo.

 

Baixei a cabeça para não banhar a roupa de vermelho e caminhei para junto de um muro, a cerca de 50 metros. O sangue não deixava de escorrer e ainda pensei ligar para o 112, mas pensei: "se não paro isto, quando o 112 chegar, já fui desta para melhor". Peguei em lenços de papel Renova e lá fui tentando estancar aquilo como podia. Perdi mais sangue em alguns minutos do que perdi em toda a minha vida.

Depois disto, relembrei-me das vezes que já cabeciei placas semelhantes e das pessoas que já vi passar pelo mesmo que eu. Relembrando-me também dos cegos, dos velhos e de todos que por qualquer razão, caem numa dessas armadilhas, já sabem o que me apetecia fazer, não sabem? Pois! É melhor eu não dizer nada.

 

 

Coleópteros. Existem no mundo, cerca de 350.000 espécies de coleópteros, 30.000 das quais são de escaravelhos

 

Na minha última caminhada por aquele local, encontrei este amigo que me parecia sem bússula. Ele estava parado num carreirito entre matos e flores. Tirei-lhe umas fotos e prossegui viagem. No entanto, lembrei-me que por ali passariam pessoas e ele, se ficasse no mesmo sítio, teria a vida em perigo. Voltei para trás e lá estava ele na mesma posição. Toquei-lhe com uma palha e lá resolveu prosseguir viagem 

 

 

Este representa uma das 30.000 espécies de escaravelho

 

Ele tentava seguir o seu rumo mas eu ainda o afastei um pouco para mais longe para não voltar ao carreiro e ficar em segurança. Já tinha saudades de ver um destes. Sempre que tenho oportunidade de matar saudades de um bicho que não vejo há muito tempo, faço-lhe uma festa!

 

 

 Um bezouro negro

 

Estes já me familiarizei com eles. A minha foto não dá uma ideia do seu tamanho! Eu acho-o um gigante. Mas eu recordo-me que as grandes damas do Império dos faraós, usavam bugigangas de metais feitos à imagem deles. Tanto do escaravelho como do bezouro. Se estivesse aqui o meu Quico, já teria de lhes contar uma história sobre os pichebeques das damas egípcias. Alguns desses pichebeques eram feitos com pedras preciosas, ouro e diamantes. Mas não é de admirar, pois os egípcios adoravam um escaravelho como o deus Khefri. Khefri era representado por um escaravelho, o escaravelho sagrado ( Scarabaeus sacer) ou por um homem com cabeça de escaravelho. Ele era responsável pelo movimento do sol arrastando-o. No crepúsculo, o sol morria e ia para outro mundo, o Oeste e, de manhã, Khefri tinha a missão de o ressuscitar.

 

Vejam o que o meu amigo Apolo tem passado. Era ressuscitado todas as manhãs!

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 01:08