... uma conversa do Tobias com o Ventor!

 

«Olá, Maralhal»!! «Era assim que o Quico dizia».

 

 O melro Tobias

 

«Para aqueles que já me conhecem um olá muito especial, para os outros que ainda não me conhecem, apenas vou ter de voltar a apresentar-me»: «eu sou o melro Tobias»!

 

«Voltei, mais uma vez, a conversar com o Ventor. Ele andou à minha procura e eu cá estou! E, agora, pedi ao Ventor para colocar nessa vossa janelinha a minha conversa com ele, mas ele achou que devia ser eu a dizer-vos o que penso. Por isso fiz um rascunho para o Ventor passar para vós».

 

«Pronto aí vai»!

 

«Como alguns de vós já sabeis, eu era muito amigo do Quico e, agora, continuo a ser amigo do Ventor mas tenho andado um pouco chateado e não tenho andado a esvoaçar aqui pelos choupos, junto à janela do Ventor. Como deixei de aparecer, o Ventor, um dia destes, andou por aí à minha procura e foi encontrar-me a esvoaçar de árvore em árvore, uma epécie de salgueiros, junto à água, onde, de vez em quando, apanhava uma minhoca. O Ventor pareceu-me um pouco triste e perguntou-me porque não apareço mais vezes, aqui pelos nossos  choupos, para conversarmos.

 

Mas a vida de melro não é assim tão simples como à primeira vista possa parecer-vos! Têm andado por aqui alguns amigos meus, uns gaios que também são amigos do Ventor e tudo corria bem mas, depois, apareceram por aqui uma catrefa de estorninhos que nos deixaram sem reservas. Os gaios foram à procura de sobrevivência para outros sítios e os estorninhos partiram depois de limparem tudo. Eu tive de ir atrás mas, como devem calcular, nunca me poderei afastar para muito longe. Além disso, tenho por aqui muitos dos meus amigos alados. Os gaios prometeram-me que voltavam para darmos umas passeatas por aqui com os cisnes, os patos e as garças que também nos vão visitando e, também, para nos divertirmos com o Ventor.

 

No dia seguinte ao meu belo encontro com o Ventor, junto à ribeira, logo pela manhãzinha, eu vim saltitando pela relva, por entre as árvores e cheguei até junto da janela do Ventor. Ainda era muito cedo, mas lá o vi a deitar umas migalhas aos pombos, que eu também apanho sempre que posso e, depois, subi para a folhagem do choupo e tivemos uma grande conversa.

E quando estávamos entretidos na nossa conversa, tinham os patos reais acabado de acordar e preparavam-se para começarem a esticar as asas iniciando os  seus exercícios matinais de aquecimeto.

 

De repente, quatro patos, numa grande algazarra, nos seus quás-quás, dão quatro voltas em redor e sempre com passagem baixa entre os choupos onde eu me encontrava e a janela do Ventor, a voarem mesmo junto da sua cabeça. Foi uma beleza para o Ventor e também para mim, observarmos aquela espécie de esquadrilha de Topoleves de penas. Depois uns amigos nossos, também patos reais, disseram-nos que aqueles amigos tinham chegado de muito longe, na véspera à noite e como vinham cansados, acabaram por passar a noite com eles e, logo de manhã, ei-los de partida à procura de novos mundos, certamente outros sítios paradisíacos e também outras encruzilhadas de novos perigos.

 

Talvez dentro de algum tempo, os gaios voltem, pois tiveram de partir para outros locais, que o Ventor bem conhece, para sobreviverem. Há por aí zonas ideais para eles. Zonas com árvores como alguns carvalhos, bastantes sobreiros, freixos e pinheiros entre outras árvores e com cascas velhas cheias de larvas, alem de bolotas, que transformam esse ambiente, numa área de protecção para essa malta. 

Mas eu sei que todos eles vão regressar, porque todos eles, tal como eu, gostam muito de conversar com o Ventor e o Ventor connosco. 

 

 

O Ventor colocou aqui algumas castanhas e nozes para os roedores como os esquilos que continuam lá por cima junto do Quico e eles acabarão por ver isto porque, todos nós sabemos que o Senhor da Esfera controla a Esfera com um Computador Global, o mesmo que faz tudo o que pode para que as esferinhas mais pequenas não choquem umas com as outras. A chatice é que o computador global do Senhor da Esfera, às vezes, tal como os computadores inventados pelos homens, também mete água!

 

Não sei se sabem que o Ventor também tem amigos Druidas. E também digo a todos os que não sabem que essa história da globalização é mesmo global! Os Druidas, nos tempos de antigamente, só viviam em florestas de carvalhos, tal como o Merlim, o mago do Rei Artur, do Ventor e de outros, que também era Druida. Agora, os espíritos dos Druidas e os doendes, vivem onde podem! Eles metem-se nas árvores que os conseguem recolher, como os tais carvalhos, os sobreiros, os pinheiros já velhos, os castanheiros de troncos retorcidos, os freixos ... sei lá! Dessas coisas o Ventor é que sabe. Mas, a verdade, é que os druidas também optaram pela GLOBALIZAÇÃO!

 

 Eu até sei que a mensagem dos gaios informava o Ventor que o Merlin andava lá por cima com o Quico. E também sei que se dão todos bem, naquelas Montanhas Lindas. E, se não fosse tão longe, até eu gostaria de ir até lá, pois disse-me o Ventor que há lá, com o Quico, de tudo ... ou quase! Há esquilinhos, que vêm dos carvalhos da Assureira, até aos castanheiros e carvalhos que estão lá por perto do sítio do Quico. Já há por lá martas, fuinhas. Será que os texugos e outros também por lá continuem?

 

Depois, se o Ventor me deixar, eu continuarei a contar-vos coisas. Até um dia, Maralhal»!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 19:13