Caminhar nos trilhos do Quico é o que me resta dele e resta-me a tristeza de não o ver nos seus miradouros, a meu lado, a apreciar os nossos amigos, comigo.

 

Mas tive, em compensação, a companhia do João para apreciar estes belos animais, mesmo aqui, frente aos nossos olhos. É lindo ver como a inocência consegue avaliar a presença dos nossos companheiros de caminhada. O Quico levantava as orelhas e concentrava toda a sua visão ... o João abre bem os olhos e vai olhando de lado para mim para tentar saber ou entender o que pensarei daquelas suas novidades. O Quico também assim fazia! Observava o alvo e depois olhava-me a tentar descortinar o que eu estaria a pensar.

 

 

A vida deles é um rodopio na procura das ervas e, ....

 

 

... o pequenino, coloca a sua cabeça sempre junto da cabeça da mãe para aprender a comer do que ela come.

 

Mas para mim, o pior, é de manhã, quando me levanto. Falta-me o meu amigo!

Espreito para apreciar a bela bicharada, na nossa vizinhança, e vejo sempre coisas novas! Por entre os choupos, tal como o Quico fazia, eu vou observando tudo o que posso, mas as árvores são uma grande barreira.

Olhando o relvado, mesmo antes das luzes do jardim se apagarem, lá vejo o Tobias a sacar mais uma minhoca e, já por três dias seguidos, logo de manhãzinha, com um novo amigo. Um amigo lindo e muito especial! Vou-lhe chamar o Tricas!

O Tricas é um gaio. Um gaio lindo! Disse-me o Tobias que ele é o "correio"! O último elo do "correio" dos gaios das minhas Montanhas Lindas!

 

"Olha, Ventor" - disse-me o Tobias - "os gaios organizaram uma grande estafeta para nos trazerem notícias das tuas Montanhas Lindas. Eles, os que estão por lá, enviam as notícias. Um faz um grande voo, sobre a tua Assureira, desce o rio Adrão até ao rio Lima e passa a sua mensagem a outros que descem o rio Lima, até à sua belíssima foz, em Viana do Castelo, depois, a outro e a outro e assim por diante que se vão dirigindo junto à costa, sobre campos, florestas e bosques, até aqui".

"Agora eu traduzo o seu grasnar e passo-te a mensagem. Todos os animais das tuas Montanhas Lindas permanecem junto do Quico. Os gaios nunca o abandonam, bem como todos os outros. Gaios, pombos bravos, rolas, coelhos, raposas, lobos, lagartos, lagartixas... Todos"!

 

 

Este "pintinhas" é um dos muitos companheiros do Quico

 

Eles, em grupos, descem à água, numa revoada de voo alegre e vão banhar-se. Até parece que neste mundo, tudo lhes corre bem. Eu tirei algumas fotos mas, devido à distância e à sombra dos choupos frondosos, não ficam com o mínimo de dignidade para apresentar aqui.

 

 

Este menino, é o correio do arranque no Norte, nas minhas Montanhas Lindas

 

O Tricas que anda por aqui, ao lado do Tobias, é semelhante, mas só o vejo muito cedo e não consigo fotografá-lo, por ser ainda quase escuro e por ter de fazer projectar a máquina por entre as ramadas dos choupos. Depois as pessoas passam e ele já não acredita em ninguém. O Tobias diz-me que ele só recorda a mensagem que o Quico deixou a todos os gaios. «Nunca acreditem em ninguém, acreditem só no Ventor»!

 

 

Um gatinho lindo! Mas, a vida, não lhe terá sorrido

 

Este menino, semelhante ao Quico, foi encontrado abandonado. Ele, quando vê a Dona do Quico desfaz-se todo em meiguices. Porém, eu sei que nem todos os gatos e cães são abandonados. Muitas vezes, eles, à primeira oportunidade, por mil e uma razões, dão de frosques. Todos os animais prezam, acima de tudo, a sua liberdade! E, de maneira geral, nós, para eles, não passamos de uns intrometidos. Damos-lhe de comer, fazêmo-lhes festas mas, isso não chega. Eu, por exemplo, nunca gostaria que me metessem numa bela sala, me dessem belas pratadas, me permitissem a ida à piscina, ... Podem crer que, à primeira oportunidade, eu procuraria ver os raios do meu amigo Apolo penetrar por entre as folhagens verdes dos carvalhos, dos castanheiros, dos choupos ... de tudo que me levasse a acreditar que a liberdade estaria sempre em primeiro lugar.

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 19:35