... Eu sou o Tobias, mais um vosso amigo.

 

 O melro Tobias, amigo do Quico e do Ventor

 

Está decidido!

Hoje de manhã, ao romper do dia, aqui na janela, junto ao local que foi o Miradouro do nosso amigo Quico, tive uma conversa com o Ventor.

 

Claro que, primeiro, vou ter de me apresentar.

Eu sou um dos muitos amigos do Quico, o gato que foi companheiro do Ventor e também meu (nosso).

Sou um melro aqui do jardim, e o Ventor deu-me o nome de Tobias! Um blackbird, nascido aqui, perto do Miradouro do Quico.

 

Somos uma família de melros naturais aqui da Amadora. O Ventor, logo pela manhãzinha, quando via o Quico de orelhas levantadas e olhar firme, no choupo, em frente, não precisava de mais nada. Mesmo sem me ver, perguntava logo: "queres um bocado de pão, Tobias"?

Claro que eu não me fazia rogado!

 

O Quico do Miradouro e eu daqui do choupo, todas as alvoradas, conversávamos muito e quando nos juntávamos os três, o Quico, eu e o Ventor, nunca mais acabávamos.

Nos últimos tempos, o Ventor deixava tudo aberto para não faltar o ar ao meu amigo Quico. Eu vinha caladinho, ainda muito cedo, até à janela, espreitá-los. Eles ou estavam sempre ao lado um do outro, deitados no chão da sala ou o Ventor ficava deitado na sala e o Quico vinha para a varanda e deitava-se num tapete dobrado para que a dobra servisse de almofada e, sempre à vista do Ventor

 

O Quico, nos seus últimos dias de vida, disse-me: "vou morrer, Tobias"!

"Ouvi a Vet dizer ao Ventor que eu teria uma doença má. O Ventor pensa que eu não sei, mas eu sei porque ouvi tudo. Além disso, eu sinto que estou a morrer"!

 

Estavam tão tristes, o Quico e o Ventor. Até metia dó olhar os dois!

Uma manhã, na véspera do Quico morrer, ainda muito cedo, eu, voei do choupo até à janela e, ao pousar, meti uma pata mal na calha de alumínio e fiz uma grande algazarra que assustei o Quico, o Ventor e até a mim próprio.

O Ventor olhou para mim admirado por ainda ser tão escuro e eu já andar ali, e o Quico, com aqueles olhinhos bonitos, mesmo doentes, disse: "tão cedo, Tobias"!

"Ainda é tão escuro para ti e matas-te"!

Depois, quando o Ventor foi à casa de banho, pediu-me: "Quando eu morrer, Tobias, peço-te que continues a ser amigo do Ventor. Ele vai ficar muito triste sem mim. Ele vai olhar o meu Miradouro e vai sentir sempre a minha falta! Por isso, vai andando por aqui, ok"?

 

No dia seguinte, de manhã, o dia fatídico para o Quico, a janela estava fechada. Espreitei, mas não vi ninguém. Mais tarde, pelas 09:30, quando me encontrava sobre uma laranjeira a ver se arranjaria por ali uma minhoca, vi o Ventor levar o Quico embrulhado num lençol de banho, rosa com riscas azúis, para o carro.

Fiquei tão triste que fui alertar toda a nossa vizinhança, os meus amigos, do Quico e do Ventor.

 

Pombos, pardais, pintassilgos ( os pintinhas do Ventor), patos, alvéolas, pintaroxos, cisnes, gatos, cães... tudo ficou a chorar pelo nosso grande amigo, o nosso Quico. O Quico já me tinha dito que o Senhor da Esfera toma conta de todos que passam para o lado da noite do «sono eterno».

 

Mas o Quico contou-me muitas coisas lindas. Coisas que ele sabia e outras que aprendeu com o Ventor. Por isso, amigos, o Ventor disse-me que ia deixar os amigos do Quico prosseguir com os seus Blogs e, como eu tinha sido aquele que, praticamente, também assisti ao seu fim, seria eu o primeiro dos seus amigos a escrever um post. E que sempre que quisesse, e até, mesmo chorando, eu também podia escrever aqui o que o Quico me contava. O Quico ouvia coisas ao Ventor e depois contava aos amigos que andavam por perto dele.

 

E como somos muitos a querer que o Quico continue por aqui connosco, quem melhor que nós, os amigos do Quico, para o mantermos vivo nas nossas memórias?

Agora sou eu, são os patos, são as netas e bisnetas da Isabelinha, são as andorinhas que tinham inveja de mim por monopolizar quase todo o tempo do Quico.

 

Quando eu conheci o Quico, ainda antes do Ventor me chamar Tobias, o Quico também ralhou comigo, sabem? Ele fez uma grande gritaria quando me viu tirar uma minhoca do relvado! Eu disse-lhe que, para eu sobreviver, teria de comer minhocas mas, se me dessem alguma coisa, pelo menos não comeria tantas! Ele não queria que as minhocas morressem assim, mas elas são a nossa principal fonte de proteinas!

 

E o Quico disse: "pois é! O Senhor da Esfera fez tudo mal feito! Este mundo", - disse ele - "só tem uma coisa boa. É azul"!

 

Mas o Ventor não queria que tivéssemos esta conversa hoje. Ele está com as gripes! Disse-me que tinha a gripe das aves e mais umas quantas e, por isso, era melhor afastar-me. Ele até me disse que as ia matar todas!

Tinha a gripe A, a B, a C ... e não sei quê! Mas diz que estes dias, entrincheirou-as todas no seu organismo e, conseguiu que elas se virassem umas contra as outras, acabando por se matarem umas às outras. Agora o Ventor disse-me que estava com medo que dessa guerra "inter-gripina" saísse alguma estirpe muito pior. Por isso, mandou-me afastar e que só voltasse quando ouvisse ele gritar alto - TOBIAS!!!!!!!!!

 

 

O Gasparzinho

 

O gasparzinho

 

Estas fotos representam o novo Gaspar.

O Ventor disse-me para vos contar que o cão da tia da Joana, o Gaspar, que morreu   atropelado na estrada e foi  enterrado lá no jardim, agora tem este novo Gaspar que passou a ser o seu guardião.

 

Disse-me também, que o senhor que lhe vendeu este cachorro, lhe ofereceu uma cadela, irmã dele, com 7 meses, mas o Ventor não tem a foto dela.

Ete Gaspar nº 2 terá nascido cheio de sorte e a irmã dele em dias de azar, porque os ex-donos chatearam-se e foram levá-la ao antigo dono. Deus queira que passe a ter mais sorte.

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 16:24