Mais uma das histórias do Ventor!

No dia 11 de Julho, descendo com o Alex e com a Tina aquelas escadarias da Senhora da Peneda, quando Apolo já beijava todo o vale, o Ventor disse-me que se apercebeu, ainda um pouco longe que, lá em baixo, num outro lance de escadas, havia uma imagem que, pela forma, lhe parecia familiar.

 

 

À medida que nos aproximávamos, o objecto e a sua sombra deixaram de parecer um sardão e passaram a ser o sardão!

 

O Ventor caminhava e, como costuma, ia olhando tudo em volta, como se costuma dizer, sempre com um olho no burro e outro no cigano e se ali não haviam nem burros nem ciganos, sempre haveriam cobras e lagartos! E, então, apercebeu-se que se tratava de um objecto que com a sua forma e sombra lhe fazia lembrar um sardão ou, então, teria de ser mesmo um sardão.

Caminhando mais um pouco, apercebeu-se que se tratava de um sardão e, por sinal, um sardão bem atrevido na sua maneira de olhar o mundo, o Ventor e os amigos!

 

 

Ele não queria acreditar que o seu local preferido seria também um local de tormenta devido à gente que por ali passa, mas o Ventor sabe que ele pode arranjar melhor palácio por ali

 

Primeiro, ele não fugia dos três caminhantes que, sem pressas, se dirigiam em sua direcção e, apontando as máquinas, começaram a fazer "fogo"! Click ... click ... click ...

Então o bicho que, mesmo não sendo duque nem conde da Peneda, impertigou-se contra os paparasis atrevidos que lhe estragavam a toma das benesses do nosso amigo Apolo que, na Peneda, àquela hora da manhã, sabem sempre bem. Portanto, nem pretendia retirar-se, nem dar benesses àqueles paparasis feitos à pressa.

 

 

O seu sossego é permanentemente perturbado pelos turistas que nunca se cansam de desgastar as escadarias da Peneda

 

Mas quando se convenceu que aqueles três não se desviavam nem que a vaca tossisse, ele torceu-se um pouco e arqueou o rabo em tom de ameaça. Disse-me o Ventor que imaginou logo um sardão reguila e cheio de juventude, julgando-se um novo senhor do mundo. Mas o Ventor que chegou a pensar que aquele reguila iria avançar para ele, lembrou-se que esses marotos já têm feito isso, embora nunca com ele. Mas conheceu casos desses, tais como mulheres vestidas com saias ou vestidos com tons vermelhos. Mas o Ventor que ia um pouco à frente da Tina, reparou que ela não levava nada vermelho e se o bicho lhe passasse pela cabeça uma sortida, seria ele o primeiro alvo e imaginou-se com o sardão agarrado às calças lembrando-se dos gritos do seu companheiro de guerra, Coutinho, que em Marrupa, numa noite da caçada às ratazanas, gritava: "Ventor esta gaja não me larga as calças"!

 

 

Chateado ou não, ele terá dito: "chiça! Será que não irei ter sossego"?

 

Seria o sardão reguila capaz de atacar o Ventor?

Nah! Ele achou que não, mas quem sabe? O sardão esteve preparado para o impulso, mas tomou o caminho certo. Desceu o degrau e enfiou-se no seu palácio de verão!

 

Agora que me recordo do que o Ventor me tem dito sobre a romaria da Senhora da Peneda, com os romeiros a subir e a descer as escadas, que fará o lagarto em Setembro?

Será que se junta à malta e vai com eles pedir a protecção da Senhora da Peneda?

Seja o que for que aconteça, o Ventor já pediu à Senhora da Peneda para dar protecção ao sardão, seu guardião porque, sendo assim, ele ainda vai conseguir animar outras gentes e, quem sabe, num dia dos próximos anos, o Ventor volte a ver o bicharoco como ele gosta! Todo vestido de verde com aquela grande papeira azul e, a dizer ao Ventor que já é o amigo que ele esperava - o Grão Sardão - Duque da Peneda!

 

 

E, mais uma vez, lá decide refugiar-se nos seus aposentos

 

Ele é ainda um rapazola, quando um dia, com sorte, for mais velho, será um grande lagarto. Na passagem da Peneda, para Lamas de Mouro, fica a Portela dos Lagartos e todo o ambiente da serra da Peneda é propício à existência de grande lagartos ou sardões. Com um pouco de sorte eu acho que um dia, o Grão Sardão, fará jus à célebre Portela dos Lagartos!

 

 

Acredito que este seu parente morreu de hipotermia e não afogado! A água não é muita e escorre por entre as pedras, mas o frio nocturno sim e ele não terá tido oportunidade de se safar dali. Afinal, ele apareceu na Primavera para apanhar banhos de sol e não fazer natação!

 

Este seu parente, terá caído à água que desce da cascata da Meadinha e passa por baixo do Hotel e por baixo do terreiro da Peneda, frente à igrela. Há um local à saída do Hotel que é aberto, mas depois passa por baixo do terreiro. Foi nessa abertura que nós o vimos de papo para o ar e metia pena ao sabermos que ainda teria tanta vida pela frente!

Ele ter-se-á metido em bolandas e, como a água é gelada, terá morrido de hipotermia. Por aqui devemos acreditar que tal como os homens, nem todos os lagartos têm sorte.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 18:43