Eu já lhe perdi a conta, mas o Ventor sabe quantas são.

Eu acho que a minha dona procura a LUZ, mas no sítio errado! Ou não? Com luz ou sem luz ela lá foi fazer mais uma operação à coluna! Será que desta é de vez?

 

A minha dona merecia melhor sorte. Acho que todos nós merecíamos melhor sorte, mas não duvido que ela a mereceria de certeza.

Mas o que eu sei é, que com sorte ou sem sorte, ela lá foi mais uma vez!

Mas agora eu tenho a certeza de uma coisa. Ela é uma flor do bem e, como sei que ela é uma flor do bem, vou pedir às flores do mal, para que deixem a minha dona sossegada. Já chega, não?

 

 

A minha dona descansa um pouco para respirar melhor

 

Pois foi! Ela e o Ventor lá partiram para mais um ciclo de tortura. A minha dona chegou à Luz, arranjou as suas coizinhas, vestiu um robe preto e apareceu uma senhora que lhe disse ser a pessoa que a ia pôr a dormir e que, não a largaria, um só momento, enquanto ela dormisse!

Depois apareceu a enfermeira que lhe fez um furo no pulso com uma agulha e que lhe disse que, tudo iria ser feito por aquele buraquinho, tal como o portal do Egipto por onde eu e o Ventor entrávamos e saíamos, noutros tempos. Tirariam o sangue para análises e serviria para tudo que se seguisse. Depois foi fazer uma radiografia e regressou para junto do Ventor e já cansada e com menos sangue, deitou-se um pouco sobre a cama.

 

 

Depois, pela janela do Hospital, observa o nosso amigo Apolo e todas aquelas belezas por ali, em redor, iluminadas por ele, que parece dizer-lhe para ter calma

 

Ficou, por momentos, a meditar e espreitar tudo o que ela tão bem conhece!

Deu mais uma olhada serena e começou a meditar naquele "futurinho" muito próximo que se encontrava lá no fundo, nas catacumbas do Hospital. Ela sabia que o Ventor fica doente quando ela desce às catacumbas.

 

 

Ela sabe que para a semana voltará a caminhar por aqui, com a esperança de o fazer sem limusine

 

Voltou a olhar bem para o exterior e lá estavam as belezas que ela vê quase todos os dias. Aquele pedaço verde que o Ventor tanto aprecia e a que os homens decidiram chamar Monsanto. O Parque Florestal de Monsanto todo emblemado de verde com um belo chapéu azulinho e ela sabia que belezas assim não se podem perder!

 

 

Ela também sabe que a esperança nunca deve morrer

 

Ali mesmo, debaixo do nariz, um pouco mais à frente o Museu dos Bombeiros, a Av. Lusíada e tudo o mais, sem esquecer os estorninhos que procuravam anafadamente, na relva, todo o alimento para os seus filhotes.

 

 

E sabia que por aqui continuam a esperá-la as lojas do Colombo com as suas coisas lindas e que ela entrará e sairá pelas suas portas sem a limusine! Isso faz parte da esperança!

 

Depois, lá estavam, a seguir, o Colombo e a sua bela torre e, mais para lá, o ninho da ... da ... daquele bicho penudo a que os benfiquistas chamam águia. A sua águia que ela sabe que gosta mais do Ventor portista do que dos benfiquistas todos. Mas a águia, a penudinha que os benfiquistas quiseram que fizesse lá o seu ninho - a, mais própriamente o, Vitória. O ventor dá-lhe outro nome, mas só em dias de guerra!

 

Depois de apreciar tudo isto, a minha dona esperou e o Ventor teve de partir para ir buscar o Tomás. Quando o Ventor chegava à escola do Tomás o telefone tocou e, o coração do Ventor pulou ao ver lá estampado o nome da minha dona.

«Vão-me levar. Vou descer»!

Então o Ventor disse-lhe: "Vai, eu vou lá estar contigo"!

Depois o Ventor entregou o Tomás à avó e galgou o IC 19 até ao Hospital da Luz. Esperou no quarto dela, sózinho, como sempre, a meditar na vida e nos males que nos atingem a todos que nem raios e curiscos.

Às 21:50 H, dirigiu-se ao balcão e perguntou pela minha dona e uma enfermeira disse-lhe que já recebera ordens para a ir buscar ao Bloco, às 22 horas. O ventor gelado do ar condicionado sentou-se numa sala de espera e, às 10 horas a enfermeira chegou e disse-lhe: "vou agora buscá-la, quer vir comigo"?

Aquela enfermeira nem sabe o bem que fez ao Ventor! O ventor pensou para ele: «como é tão simples sermos simpáticos uns com os outros»!

 

Agora a minha dona, sob o efeito dos medicamentos está bem. Será que amanhã ainda estará? Ela disse ao Ventor que ia meter a limusine na garagem para um dia, daqui por uns aninhos a levar a dar umas voltinhas. Quem sabe?

Depois, conto como tudo correu. Para já, tudo bem!

Mas tenho de ir embora que o Ventor quer dormir. Bons sonhos para vocês também.

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


sinto-me: Contente
música: Born To Run de Bruce Springsteen
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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 00:33