Eles Voltaram!

Foi assim que o Ventor me acordou, um dia destes.

"Quico, eles andam aí, outra vez"!

 

 

A tipologia era esta, mas as naves eram de um cinza-azulado muito lindo. Logo sobre a base haviam janelas redondas, a toda a volta da nave por onde o Ventor teve oportunidade de ver como se desfrutava por ali de grande conforto

 

Eu acordei e ouvi o Ventor a falar com eles e, pelas respostas do Ventor, calculo o que eles lhe diziam.

O que não percebi, o Ventor contou-me!

 

Era um grupo de sete discos voadores que aterraram, numa clareira, junto a uma floresta de abetos, à sombra dos quais, o Ventor passava pela brasas, comigo a seu lado, num dia azul, cheio de sol. Na aterragem desses sete discos voadores. o barulho não era uma grande coisa, mas foi o suficiente para acordar o Ventor, que disse: "há milhares de anos era assim"!

 

Conta-me o Ventor que, noutros tempos, eles chegavam em grandes grupos e atacavam com as armas mais modernas. Atacavam tudo que se mexesse no Planeta Azul. Desta vez só gritou: "fica aqui escondido Quico, quietinho, que eu vou organizar a defesa"!

 

O Ventor escapou-se por entre os abetos e esquivou-se por trás daquelas belas máquinas transportadoras daquele "terrífico" grupo galáctico.

O Ventor vestia um capote estilo alentejano, mas todo azul escuro, muito leve, segundo me disse e, por baixo do capote, ele guardava o seu belo arco, muito mais moderno, cheio de tecnologias que o faziam encolher e crescer, conforme as necessidades. Este arco continuava a ser tudo o que o Ventor queria!

 

O Ventor chegou a uma bela aldeia, e entrou,  apressadamente, numa tasca daquelas muito antigas em que os homens  se vestiam todos de tons castanhos e se divertiam bebendo por canecas de barro, acabadas de sair de algum oleiro que, se calhar, nos dias de hoje, já não há. Sentavam-se em bancos de madeira corridos, em volta de grandes mesas de carvalho, rectangulates. No momento em que o Ventor ia falar a esses homens e pedir-lhe para pegarem nas suas armas e prepararem-se para o combate, pois a guerra iria ser total, três vultos aproximaram-se, também vestidos com capotes azuis, um pouco mais claros que o do Ventor e estacaram. Nesse momento, ouvi o Ventor dizer: "vou lutar sózinho e estes gajos nem vão ter tempo de saber como morreram"!

 

Mas logo que o Ventor pôs a mão no seu arco, uma mão branquinha, muito fina, com a palma voltada para cima, saída no fim de um belo braço, dobrou o dedo indicador a chamar o Ventor que, observou um rosto lindo, todo sorridente que, após tirar o seu capuz, ficou emoldurado por um belíssimo cabelo dourado que lhe disse: "chega aqui, Ventor, vimos em paz"!

 

 "Paz" - ouvi o Ventor gritar. "Devem estar a brincar comigo"!

O Ventor estava diante do mais terrível comando galáctico, que em tempos desencadeava os seus terríveis ataques sobre o nosso Planeta.

Outro braço se levantou com a mão aberta, virada para o Ventor em sinal de stop. Este braço era do terrível comandante galáctico que, em tempos, fustigava todo o Planeta Azul, com poderosas máquinas de guerra, matando tudo que podia, até o Ventor o enfrentar.

 

O Ventor olhou os três, todos velhos conhecidos! A Princesa galáctica que, em tempos, coadjuvava seu pai em todos os momentos de ataque, estava mais linda e, deu dois passos em direcção ao Ventor, dizendo-lhe bem alto: "vimos em paz, Ventor! PAZ"! O Ventor olhou estupefacto aqueles três vultos, com cara de gente. Ela dois passos à frente, de braços abertos e eles, os seus acompanhantes, pai e irmão, mais recuados, com o braço direito, ao peito, tal como os romanos, antigamente.

 

Ouvi então o Ventor dizer: "vindes em paz, Princesa, ou temeis o meu arco"?

"Vimos em paz, Ventor"!

O Ventor voltou a falar: "estás cada vez mais bonita e é pena desperdiçar tanta beleza em actos de guerra"!

A Princesa dirigiu-s para o Ventor, abriu os braços, abraçou-o e disse: "vimos mesmo em paz, Ventor. O Comandantes galácticos atribuiram-me, democraticamente, o Comando e, meu pai e meu irmão, prometeram obedecer a esse escrutínio e fazer tudo que eu decida e a primeira decisão que tomei, foi fazer a Paz contigo e com o Planeta Terra".

 

Quando a Princesa tirou o capuz da cabeça e mostrou os seus cabelos dourados e os olhos azuis, sorrindo, o Ventor sentiu-se aprisionado por energias positivas e pensou que nunca vira aquela beleza sorrir e, embrulhado naquele belo sorriso, aquele rosto espalhava entre eles as energias propiciadoras da paz e de uma amizade profunda.

 

O Ventor, com toda a calma deste mundo, tirou a mão do arco, sorriu também e perguntou-lhes: "que fazeis realmente aqui, com as vosss fardas inconfundívesis, sinónimo de morte e destruição"?

"Vimos mesmo em paz, Ventor! Entre nós, a partir de hoje, não vai haver mais guerra. No futuro, haverá apenas, paz e amizade. Vocês precisam da nossa ajuda, Ventor, vamos ajudar-vos a sobreviver"!

"Não queremos mais guerras. Viemos fazer um levantamento de tudo que está a destruir, lentamente, nuns casos e, apressadamente, noutros, o vosso Planeta Azul!.

Só tu podes ser o nosso contacto. Só tu poderás ajudar-nos a resolver muitos dos problemas que vos afectam, cada vez mais. Nós, em tudo ajudaremos para que este planeta sobreviva"!

 

Aquela bela Princesa deu o braço ao Ventor e foram, os dois, conversando pelo caminho até chegarem às naves. Mas os olhos do Ventor só me procuravam a mim. Sem que a Princesa ouvisse, perguntou, só movendo os lábios, "Quico  onde estás"?

O Ventor disse-me que eu subi para cima de uma rocha e que já estava rodeado de extraterrestres a conversarem comigo e disse-lhe: "estou aqui"!

Eu corri para o Ventor. A Princesa baixousse e pegou-me ao colo! Antigamente eles não podiam com gatos! Disse-me o Ventor que sempre tentaram exterminar todos os gatos, só porque outros egícpcios, muito antes dos faraós, nos adoravam. Só escaparam os meus antepassados que conseguiram chegar à "Porta", ou se preferirem, ao "Portal", por onde entrávamos e saíamos do Planeta Terra!

 

 

Apolo, sempre sorridente, acalmou o Ventor

 

O Ventor acreditou que todos vinham embuidos de Paz. A Paz verdadeira!

Por isso, o Ventor observou Apolo nas Alturas e ele piscou-lhe o olho, a confirmar que estava tudo bem. Na conversa, com o Ventor, a Princesa disse que tinha mais gente dela junto ao 12º Planeta, todos prontos para intervirem nas soluções adequadas para melhorar as condições ambientais do Planeta Azul.

 

A Princesa, no momento de despedida, abraçou o Ventor e o Ventor disse-me que aquele abraço foi tão intenso que até parecu verdadeiro e quando o Ventor lhe disse: "adeus Princesa", ela respondeu-lhe. Agora sou eu que comando tudo e quando me entregaram o comando das nossas forças, eu disse-lhes: "quero a paz com o Planeta Azul. Nunca mais quero o Ventor como inimigo. E todos ficaram de acordo. Também estás de acordo, Ventor"?

 

Todos ocuparam os seus lugares nas sete naves. Apenas os 3 que chegaram com o Ventor, ao subirem as escadas, se voltaram a despedir. Os dois homens com o braço direito ao peito, como faziam os romanos, e a grande Princesa soprando um beijo que tinha depositado na palma da sua mão.

De repente, os três corpos transformaram-se em forma de esqueletos para entrar na nave e aquela bela princesa, já em forma de esqueleto, fez a manobra dos seus companheiros ao levar o braço ao peito, mas o Ventor já só a viu aquele movimento em forma esquelética.

 

Aquelas sete naves, sem ruído sonoro, nem outro tipo de poluição visívil, sobrevoaram-nos, a mim e ao Ventor, uma a uma, sendo a última, a nave do comando e, numa das suas janelas, voltou a aparecer o rosto deslumbrante daquela bela comandante galáctica, sorrindo para mim e para o Ventor apressando-se de seguida a retomar o seu lugar na frente daqueles belos instrumentos de voo inter-estelares.

 

"As últimas palavras que ouvi ao Ventor, neste sonho, foi: "como é belo conseguir obter a Paz"!

O Ventor acordou e contou-me tudo que os outros lhe disseram. Disse-me o Ventor que foi a primeira vez que começou a sonhar com um grande pesadelo e terminou tudo numa serenidade impensável.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:30