Muita miséria o homem faz à sua volta, até mesmo através de uma tourada. O Ventor saiu de tarde a pensar sobre a mensagem que a nossa amiga Ana Loura me enviou sobre a tourada que se vai realizar nos Açores, na Ilha de Santa Maria. Creio que a mensagem da Ana Loura, não será para ser vista apenas em relação a esta tourada mas a todas as touradas que se fazem no nosso país e por todo o Mundo.

 

O Ventor já regressou e estivemos a conversar sobre essa tourada. Ele tinha minutos para chegar a Lisboa e saiu a correr, mas agora diz-me que ainda não tirou a tourada da cabeça. Aliás, ele sabe que a tourada dos Açores (Sta. Maria), e todas as outras, não são vistas com bons olhos pela maioria da nossa gente. Só alguns se satisfazem com essa paranóia. São, exactamente, os paranóicos. Eu e o Ventor estivemos a conversar e concluímos que o bicho homem, na generalidade, transporta em si o gene do mal, mas muito activo. Ora se o gene do mal atinge mais ou menos todos os animais, era suposto, devido à capacidade que o homem tem de raciocinar, de ser o animal menos atingido, mas até parece que é o pior de todos!

 

Senão vejam. O homem é o único animal que há milénios fabrica utensílios para matar os outros animais, seus companheiros de caminhada, neste planeta bafejado pela respiração de Apolo e, hoje, detentor das mais poderosas armas de morte, domina todos os animais, incluidno os seus semelhantes. Basta ler a imprensa, ouvir rádio e ver televisão! Como muitos de vós já sabeis, o Ventor foi criado no meio das vacas. E até já foi enviado pelo ar, por uma delas numa distância de 15 metros, vindo a cair numa pilha de tojo seco. E o Ventor apenas quis fazer-lhe uma festa e depois, fazer aquilo que nenhum homem, mesmo um grupo deles, conseguiu. Agarrar e segurar a sua Nova.

 

A Nova era ma vaca cuja mãe morreu esfarelada, montanha abaixo, e tinha aquela vitelinha que ficou sem leite e que também fora dada como perdida pelo pai do Ventor e toda a gente. Menos pelo Ventor! Ele pequeninho, andava no rio todos os dias a apanhar o carriço mais tenrinho para ela comer e a fome, obrigou a vitelinha a comer essas ervas tenrinhas, vindo a ser a mais poderosa vaca do seu tempo, lá na aldeia! O Ventor diz que quanto mais conhece os homens, mais adora todos os animais e, entre eles, os touros do Ribatejo ou de qualquer parte do mundo!

 

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A beleza dos touros a pastar no Ribatejo

 

E o homem mau como é, acha que os touros não sofrem! Era uma boa altura para eu e o Ventor lançar aqui um grande anátema a esses homens degenerados que tão mal tratam os animais. Mas o Ventor não quer fazer isso, mas já foi dizendo que, para ele, na tourada, só há um momento bom. Aquele em que o touro pega o toureiro e lhe enfia uma ou as duas hastes usando-o como troféu! O Ventor, só não quer que o touro pegue o cavalo, como às vezes acontece. Aí tem pena! Mas quando pega o toureiro ou um dos forcados, ele diz que ainda não tinha pensado nisso, mas de futuro, passará a fazer uma festa!

 

Eu não digo nada, porque eu não vejo tourada, nem na televisão. Aliás, nem sabia o que isso era se não fosse a Ana Loura. O Ventor também não vê, mas vai sabendo o que se passa, como nos casos das touradas de Barrancos, quando vê, na televisão, uns mafiosos dos ciclos políticos, da Esquerda à Direita a defender a tourada como uma festa! Esses mafiosos, pelos vistos já moram nos Açores! Por isso, o Ventor diz que, sempre que há sangue e morte na arena, que não seja do touro e do cavalo, estão aí as únicas mortes que não chora!

 

Mas o Ventor também diz que a podridão não está no homem que morre nas hastes de um touro. Está em toda a multidão que aclama a tourada! Quando a tourada dá na televisão verão as caras dos rufiões que naquelas bancadas aclamam a desgraça do touro. Ali verão toda a pulhice da nossa sociedade desde o homem comum ao mais sonso dos nossos políticos locais e às vezes, até centrais. Se a tourada de Santa Maria der na televisão, ou outra qualquer, façam apostas e olhem aquelas caras. Vejam para onde vai o vosso dinheiro. As viaturas de luxo que o povo paga, a gasolina, o gasóleo, não é para essa gente trabalhar, não! É para andarem por aí a cirandar à custa do suor do povo que tudo paga e nada recebe.

 

Acho que o Ventor não gostaria que eu continuasse a escrever mais o que penso e aplicasse aqui todos os termos linguísticos com que ele bombardeia a verdadeira escória social de Portugal. Mais adiante, falarei de TOURADAS no meu Site!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 11:13