O Ventor gostaria que toda a gente tivesse castanhas, pelo menos, pelo S. Martinho.

 

 

 

Está previsto, para todos nós, um belo verão de S. Martinho mas o Ventor está coxo e nem sequer pode ir às castanhas.

Ele diz que vai ver se, no dia de S. martinho, hoje, pode ir ao magusto com a família. Eu como sempre, por ser medricas, ficarei cá em casa!

O Ventor também tinha um almoço com outros amigos, mas tem de optar, se realmente conseguir ir a algum lado. Entre amigos e entre família e amigos, vai pelos segundos, por todas as razões e mais algumas.  Num almoço de amigos, ele vai só, doente e a guiar até ao cantinho do Alto da Serra, lá para Rio Maior, onde se sentará numa cadeira, comerá algo, beberá umas garrafas de água e um ou outro copo, por causa do regresso.

 

No magusto, vai com a família, pode ir a guiar, não irá só e até pode arranjar boleia se for caso disso! Por isso, as vantagens estão do lado do magusto. E o Ventor não perde vantagens a não ser que alguém esteja para morrer. Além disso, ele pode chegar, beber um copo, sentar-se numa cadeira, num banco de pedra, cumprimentar os seus amigos, como o grilo de há 15 dias, se calhar ainda o louva-a-deus, a lesma, o caracol ... sei lá! Mais a vantagem de se poder deitar num sofá ou até numa cama de perna estendida. E, quando um animal está doente, mesmo que seja o Ventor, as vantagens não podem ser desperdiçadas.

 

 

Mas eu estou aqui para vos falar de castanhas, do Ventor e do S. Martinho. Todos os trabalhos do povo levam a estes dias de festa que devem ser aproveitados para mitigar o stress originado por toda a cambada que passa a vida a roubar o povo. Sim ROUBAR com letra grande, pois é disso que se trata! Não acreditam? Então vejamos! Todos dizem uma coisa e fazem outra. Para atingirem o poleiro, eles não aumentam os impostos, vão aumentar os ordenados, vão melhorar os serviços de saúde, vão aumentar as reformas, vão deixar as pessoas passearem-se à borliú nas Scuts, e vão fazer da vida de todos os portugueses, um "Paraíso" neste Planeta Azul.

 

Depois tudo acaba porque, eles, os outros, sempre os outros, é que deram cabo disto tudo, os salafrados. Agora vão-se armar em salvadores da Pátria e mesmo assim, depois de tanta explicação, são incampazes de reconhecer que são mentirosos! Com gente desta já nem a água-pé se aproveita e castanhas dera-as Deus para muitos! Não há stress que seja derrubado. Uns mentirosos dão, outros mentirosos tiram e no dá e tira, acho que todos deveriam ir parar ao inferno do vira!

 

O Ventor diz que fica à espera do dia em que os políticos se proponham a ser timoneiros deste país com a verdade na ponta dos lábios e que o povo os entenda. Mas quem os ouve falar são todos uns cordeirinhos, uma beleza de homens, uns santos. Fartar Vilanagem! O Ventor também me diz que reconhece que é preciso endireitar o pau que foi torto por aldrabões, mas esse trabalho não pode ser feito por outros aldrabões. Tem de ser feito por gente séria! Será que ainda há gente séria neste país?

 

Pronto! Vocês não sabem, mas aqui do meu Miradouro eu ouço tudo! Ouço as pessoas, ouço os cães, ouço os gatos e até as gaivotas vêm falar comigo, saber se o Ventor já está melhor da perna. Vejo alguns passarem a comer castanhas em cartuchinhos de papel, mas todos a dizerem mal dos comilóes da Pátria! Vocês já receberam e-mails a falarem dos ordenados chorudos de meia-dúzia de palhaços que não sabem fazer nada? Das cunhas, dos jeitinhos, das mãos que lavam as outras, etç.? É uma vergonha o povo ter apoiado de alma e coração uma revolução para acabar nisto!

 

Qual é a República que permite aos comilões fazerem leis só para eles? Para se banquetearem á mesa das gestões das empresas públicas, semi-públicas ou assim-assim? São capazes de me dizer? Levantai os olhos portugueses e procurem em redor!

 

 

Mas hoje é dia de água-pé!

 

 

Foi um ano quase inteirinho a tratar das vinhas. Plantar vinhas novas, podar as velhas, sulfatar, lutar com o míldio, etç. Depois a vindima, o lagar, a "pisagem" à antiga ou moderna. E agora? E agoooora? Agora a água-pé, o vinho novo (doce) ... o cheirinho a lagares, a beleza do Outono, a companhia do S. Martinho.

 

 

Vão, vão! Vão à Adega e provem o vinho. Não se esqueçam de convidar o S. Martinho!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 09:00