Amigos, o Ventor abandonou-nos a todos e foi directo às suas Montanhas Lindas.

Desta vez sei que andou por lá muito triste. Diz a minha dona que, desde que chegou a Arcos de Valdevez e começou a ver os contrafortes das suas Montanhas Lindas carbonizados, não voltou a ser o mesmo. Ele conseguiu subir o Mezio sempre a olhar as Montanhas, só o canto do olho direito olhava a estrada.

Agora disse-me que foram uns dias de tristeza. Ele já cá está e só vê fotos a passarem-lhe pela frente. Tudo carbonizado!

 

 

A  Floresta de Travanca. À rectaguarda do Ventor estava uma das mais belas florestas deste país, descrente de tudo

 

Mas sabem que o Ventor diz que o Senhor da Esfera colocou-lhe flores no caminho por onde passava, apenas uns dias após o incêndio? Verdade! O Ventor não mente.

 

 

O Senhor da Esfera anima o Ventor, colocando no seu caminhos as suas belezas

 

Disseram-lhe que a grande chuvada que caíu antes dele lá chegar, colocou o rio de Adrão, cujas cachoeiras são sempre branquinhas, todo negro. Até as cachoeiras eram negras. Essas o Ventor não viu negras. Mas, dias depois dessa grande chuvada ter caído sobre as suas Montanhas Lindas, viu ainda três fumarolas dos torgos das urzes cujas raízes ainda ardiam debaixo da terra. Uma fumarola no Mezio, outra nos montes de Bordença, e outra na Brusca.

 

Mas no meio das suas tristezas, o Ventor ainda teve alguns momentos de alegria. Não viu o Monte Gião queimado e viu por lá quando andava a ver as obras de seus tatararararavós, os garranos nas suas folgazias nas sombras das árvores e por entre os fetos. Viu dois grupos em plena guerra aberta no estradão que sai do Mezio para o Monte Gião. Ele pensa que os dois chefes dos grupos ainda o ameaçaram ao ponto do Ventor ter de levantar do chão um tronco do ramo de uma árvore, havia ali vários e eles afastaram-se.

 

 

Os garranos, no estradão do Monte Gião, vão zangados e vão implicar com o Ventor. Teve de pegar num arrocho pois os dois machos cabecilhas dos dois grupos que iam desavindos, uniram-se para ameaçá-lo. O Ventor estava só e já antes, a minha dona, a irmã do Ventor e o Poussi, um leãozinho em miniatura, tiveram de se meter no automóvel, mas antes de lá chegarem pegarem também em paus

 

Nunca confiem demasiado nos garranos e nunca vão para os montes apenas com máquina fotográfica. Levem sempre uma vara! Eles têm medo da vara! Não têm medo de máquins fotográficas.

Depois o Ventor também tropeçou, por acidente nas festas de S. Bartolomeu no Conselho de Ponte da Barca. A minha dona gosta mais da Barca que dos Arcos. Para o Ventor tudo é bonito, pois gosta dos seus rios, do Vez, do Lima e dos seus abastecedores de água, nem se fala! Ele sabe onde nascem as águas portuguesas que abastecem o rio Vez e o rio Lima.

 

 

Uma das nascentes das montanhas Lindas do Ventor - a Corga da Vagem. A nascente é no meio das urzes que resistiram ao incêndio devido ao poulo que as cerca e  dirige-se para Bordença. São as suas águas mais altas. Por detrás, fica a corga das Forcadas e no cimo, a sua fontinha, a nascente mais alta que abastece o rio Ramiscal

 

Ele depois conta-vos tudo!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:52