Hoje foi dia de Festa e a palavra Festa, neste caso, terá de ser escrita com letra grande.

Hoje o Ventor arranjou-me um cascol à minha medida e fui gritar «viva a Pátria do meu amigo Metistófeles», mas o Ventor disse-me que tinha que gritar pela nossa, a dele e a minha. Não percebo porque não posso gritar pela Pátria do meu amigo Metistófeles, pois ele é rei dos gatos dos caixotes.

O Ventor disse-me que deveria de gritar por Portugal. Portugal sim, é o nosso País, a nossa Nação, a nossa Pátria. E como eu sei que o Ventor não se engana, fiz como ele mandou. Mal olhei pelo meu miradouro gritei então, «Viva Portugal!» e soube-me bem.

 

 

Depois ia olhar para o Ventor a ver se também gritava, e dei de caras com o Branquinho por baixo da varanda. Disse ao Ventor para lhe levar comer, que o gajo estava a gozar comigo por eu estar de cascol. A sorte dele é andar derreado, senão não gozava com o vosso amigo Quico!

 

 

Depois perguntei-lhe porque não gritava vivas à nossa rapaziada, vivas a Portugal, vivas a ... e ele disse-me que Portugal não queria saber dele para nada. Só se gritasse vivas ao Ventor. Eu disse-lhe que estava bem e então gritavamos os dois «Viva o Ventor» e assim foi!

 

 

Mas o Branquinho estava triste. Estava triste por não poder gritar com toda a força, por não poder andar à vontade como sempre andou e calou-se logo.

Depois a festa continuou na TV e eu exibi o meu cascol para todos mas ouvi o Ventor e o Branquinho dividirem as suas tristezas um com o outro. Ouvi o Ventor dizer: «Como eu te percebo Branquinho»! Como eu sei quanto tu sofrerás!



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:00