O gato branco, um amigo, mais novo que eu, que me habituei a ver sempre do meu miradouro, substituiu, no comando do grupo, o gato preto a que o Ventor e outros chamavam Eusébio. O Ventor chama-lhe «Branquinho».
 

 

 

O Branquinho

 

Cerca de meio mês atrás, o Branquinho, que dava "porrada" naqueles que não lhes ligavam ou não cumpriam as suas ordens, era o rei. Ele comandava uma das células dos amigos do meu amigo Metistófeles.

 

Um dia o Ventor ralhou com ele, quando quase obrigou outro a atravessar a rua, fugindo dele, e ele, ficou a olhar o Ventor de lado, mas o Ventor bateu com os sapatos no chão e ele rumou para bom porto, deixando o outro em paz.

 

O Ventor teve uma conversa com ele e explicou-lhe que a rua era um perigo para os seus amigos e também para ele e, por isso, deviam manter-se sempre afastados dela, pois tem sido um antro de desgraças para os gatos. Agora estão muito expostos e fugindo para a rua, procuram a morte. Mas o Branquinho não ligou puto às palavras amigas do Ventor. Ou não ligou ou viu-se forçado a tomar o rumo da rua.

 

Um dia o Branquinho apareceu todo enfeixado debaixo de umas betoneiras, com a coluna partida e não se mexia nem comia. Umas pessoas, quando souberam, tentaram tirá-lo de lá mas não conseguiram. Até a minha dona lá foi e também não foi capaz. Todos “rezavam” pelo Branquinho, até que uma alma caridosa o conseguiu tirar de lá e trazê-lo para o seu ambiente. Ele não se mexia e as pessoas diziam que mais uns dias e morria, porque além de não se mexer, não comia e nem valia a pena levá-lo ao veterinário.

 

O Ventor começou a ir lá ver o nosso amigo e decidiu protegê-lo. Ele dava-lhe água, levava-lhe comer e ele nem comia nem bebia. A sua única expressão, eram os seus olhos. Ele pedia compaixão! Os seus olhos, muito claros, quase que nos hipnotizam e fazem-nos doer a alma quando nos fixamos neles. Alguns três dias depois de estar nos seus aposentos, quando o Ventor chegou junto dele, ele levantou-se e cambaleou, mas com a parte de trás em baixo, aproximou-se do Ventor para lhe dar uma marradinha. Ele já só era pele e ossos e estes, uma lástima.

 

O Ventor colocou-lhe a mão na cabeça e pediu-lhe para comer. «Come Branquinho». O Branquinho rastejou para o comer. Soergueu-se e começou a trincar do meu comer, o Sensitive 33 da Royal Cannin. Depois bebeu muita água limpa e fresquinha. Não sabemos quantos dias passaram sem ele comer nem beber, mas foram bastantes. Quando o Ventor virou costas ele miou a agradecer e lá foi de rastos para o seu buraco.

 

No dia seguinte, o Ventor foi lá, ele miou e arrastou-se até às pernas do Ventor para dar marradinhas. Agora já se levanta e já chama pelo Ventor. Come que se farta Purina One e do meu comer. O Ventor disse-lhe que se ele sobrevivesse dava-lhe toda a vida Purina One que é o que ele mais gosta. São gostos, eu prefiro o Sensitive e diz o Ventor que o Purina ainda será melhor e também mais caro!

 

Ontem o Ventor ficou todo contente, porque veio de Lisboa e a minha dona voltou com a mãe da Joana para o Colombo, buscar uma coisa. O Ventor foi à varanda e ele estava por baixo a “falar” para ele e a pedir-lhe comer. O Ventor foi-lhe levar comer do meu e Purina One e ele comeu que nem um desalmado.

 

O Branquinho já anda. Mal mas anda. Esperamos que ele fique bem e que os seus olhos continuem a encantar os nossos. Voltarei a falar-vos dele.



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


música: gatos
publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 10:30