O Ventor passa a vida, sempre que pode, a tentar tirar uma foto decente a algum gaio e ontem foi um desses dias. Mas os gaios estão metidos em árvores densas como sobreiros, mesmo que despojados, pela seca, de grandes quantidades das suas folhas. Depois as fotos têm de ser tiradas de longe e o contraste de raios de luz entre as sombras, acabam por abafar o êxito da foto, diz ele.

 

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Um gaio

 

Ontem entrou, mais uma vez, no recinto dos gaios, mas não via nenhum e nem os ouvia e já estava a pensar que, devido à seca, eles tinham emigrado para melhores paragens. Mas para onde? Perguntava ele!

 

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Este gaio espreita a caixinha Lá no local, diz o Ventor, há um senhor que leva comer aos gatos que se escondem no meio do arvoredo e quando eles vêm o Ventor, pelo sim, pelo não, acautelam-se. Quando o Ventor viu os gatos a comer reparou que, junto deles, nas árvores, se encontravam dois gaios a esvoaçar. O Ventor subiu aquele caminho, procurando dar confiança aos gatos, e reparou que, logo a seguir, estavam dois gaios no chão junto a uma caixa de plástico.

 

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Lá vai esse para a caixinha

 

O Ventor começou a disparar em todos os sentidos, mesmo que longe, antes que os gaios fugissem. Depois viu uma caixa de plástico e um gaio junto dela. O Ventor reparou que aquela caixa ou teria mais comer para os gatos ou o tal senhor, devido à seca e à falta de água, começou a levar também água para os bichos. E assim foi! O gaio chegou-se à caixa e bebeu que nem um desalmado! Outro gaio foi beber e outro e mais ainda. Andavam pelos sobreiros e entre estes e o muro com os olhos postos na caixa plástica cheia de água.

 

 

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Este, ainda jovem, estava a topá-lo, mas ele quer é água! Estão a ver? O Ventor vai ter de passar a levar água para os gaios! Não tarda muito, na próxima caminhada, estarei a ver o Ventor sair a porta com umas garrafas de água na mão e a máquina na outra!

 

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Este vai, mas volta!

 

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Este, diz o Ventor, quase ficou amigo dele

 



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


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publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 22:54