Vocês não acreditam, mas estou! Todos os anos, a minha dona quer ir fazer a Árvore de Natal na outra casa, desde 1996. É lá que ela quer juntar a família e os amigos e está sempre pronta para fazer a nossa Árvore. Às vezes tem sido difícil, fundamentalmente, quando, tanto ela, como o Ventor, estão debilitados fisicamente e isso já tem acontecido, principalmente quando a coluna do Ventor não lhe quer dar sossego. Este ano, ela já comprou várias coisinhas para a nossa Árvore mas dá-me a sensação que perdeu a noção do tempo. Espero que não se lembre de fazer a Árvore na mesma altura de fazer as rabanadas de que o Ventor tanto gosta!

 

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A Árvore de Natal do Tomás e da Maria Imaginem vocês que até já o Ventor está preocupado! Ele que só liga a isso da Árvore por ela, porque o Ventor não foi criado na tradição da Árvore do Natal. A Árvore de Natal conquistou o Ventor por outras razões e especialmente pela vontade da minha dona em fazer todos os anos a Árvore do Natal. A primeira Árvore de Natal com que o Ventor conviveu foi, no ano de 1962, quando foi desde a Praça do Chile com os putos da casa onde viveu, buscar um pinheirinho ao Martim Moniz. Estava um frio de rachar, um frio húmido, com nevoeiro a colocar gotinhas nos seus cabelos, mas diz o Ventor que os putos estavam todos contentes a subir a Av. Almirante Reis, com o pinheiro que levavam para a mãe enfeitar que, só por isso, valeu a pena.

 

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A Maria está a ver toda lampreira por onde começar Depois? Depois foi o diabo! O Ventor fez uma guerra pela árvore do Natal em 1969, no seu segundo e último Natal em Moçambique. Em Vila Cabral havia muitos pinheiros que haviam sido semeados, alguns anos antes. Pequenos, mas uma beleza! Depois alguns de vós já devem ter lido a história já contada na Caminhada do Ventor, mas para os que não leram, fica o resumo. Os amigos do Ventor pediram-lhe pinheiros para fazerem a Árvore de Natal à moda das suas terras. O Ventor foi ter com o responsável pelas Florestas do Niassa para desbastar alguns pinheiros e oferecer aos que os tinham pedido ao Ventor. O Engenheiro não os ofereceu e o Ventor foi lá mais o condutor do Gipe da Força Aérea e fez ele o desbaste, nas barbas de todos. Foi o diabo! O Ventor correu riscos, mas o Pai Natal tinha muita força! E os aviões, alguns dias antes do Natal levaram alguns pinheiros para satisfazer algumas almas. O Ventor garante que ninguém faria o desbaste dos pinheiros melhor que ele, pois viveu os seus primórdios a chorar pelos que via cortar!

 

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Vai ser aqui mesmo! Mas agora, ele entra em casas de amigos e familiares e já todos têm a Árvore de Natal preparada para receber as prendinhas. O Ventor gostava muito das prendas deixadas no sapatinho! E isso, para ele, nasceu também na mesma altura da Árvore de Natal, em 1962, quando além da Árvore de Natal haviam os sapatinhos colocados na chaminé. Mas eu estou mesmo preocupado, pois o Ventor já me disse: “Quico, este ano estamos lixados”! Mesmo não gostando de ir para a outra casa, estou bem, é aqui, junto dos amigos que ainda me restam. Só que a minha dona tem estado muito doente e agora já deve estar a ficar com forças para ir fazer a nossa Árvore. Gosto tanto de dar umas pantufadas naquelas bolas penduradas, que vocês nem calculam! Espero ter, neste fim de semana, a nossa Árvore de Natal. Se calhar o meu amigo Charly já tem a dele. Já Charly?



O Quico também sonhou ao lado do Ventor. A vida solitária e nefasta dos seus amigos que observava do seu Miradouro, foi sempre, a sua grande arrelia


publicado por Quico, Ventor e Pilantras às 23:32